GRANADA 24 mar. (EUROPA PRESS) -
O Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) lidera um estudo multifrequencial que integra observações em rádio a pesquisas anteriores em outros comprimentos de onda do centro da galáxia NGC 4438.
Os resultados indicam que os ventos de gás detectados na região central da NGC 4438 poderiam estar sendo impulsionados por um jato muito estreito de partículas — um radiojato — que emerge das proximidades do buraco negro central da galáxia.
No centro de muitas galáxias escondem-se núcleos galácticos ativos (AGN): regiões extremamente energéticas alimentadas por buracos negros supermassivos que devoram matéria e liberam enormes quantidades de energia capazes de influenciar seu entorno.
No entanto, existe uma versão muito mais discreta desses núcleos, os Liners, considerados AGN de baixa potência porque emitem relativamente pouca radiação. Embora por muito tempo se tenha pensado que seu impacto fosse limitado, estudos anteriores haviam mostrado que esses núcleos podem impulsionar fluxos de gás e afetar seu entorno.
Agora, um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), publicado na revista 'Astronomy & Astrophysics', identifica o mecanismo que explica esse fenômeno ao analisar o papel da emissão de rádio desses núcleos.
“Para chegar a esses resultados, ampliamos estudos anteriores da mesma galáxia — realizados em luz visível e em raios X — incorporando agora observações em rádio”, destaca Marta Puig-Subirà, pesquisadora do IAA-CSIC que lidera o trabalho no âmbito de sua tese de doutorado, financiada por uma bolsa FPI-Severo Ochoa.
“Ao combinar esses diferentes comprimentos de onda, obtemos um estudo multifrequencial que nos permite ter uma visão mais completa dos fenômenos que observamos e reconstruir melhor a história do que está ocorrendo na galáxia.”
INFLUENCIAM SUA GALÁXIA
Durante décadas, os núcleos galácticos ativos (AGN) têm sido objeto de intenso estudo. Esses processos liberam enormes quantidades de energia capazes de influenciar o gás e as estrelas que circundam o núcleo, um fenômeno conhecido como feedback, que pode moldar a evolução de toda a galáxia.
No entanto, nem todos os núcleos ativos são igualmente brilhantes. Existe uma classe muito mais discreta, os Liners (Low-Ionisation Nuclear Emission-line Region).
Nesses sistemas, o centro galáctico está ativo, mas não brilha com a intensidade característica de outros núcleos ativos. Justamente por causa de sua baixa luminosidade, os Liners têm recebido menos atenção, apesar de poderem desempenhar um papel fundamental para compreender como os buracos negros centrais interagem com seu entorno, já que são muito numerosos.
Com o objetivo de investigar esse fenômeno, uma equipe liderada pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) realizou um estudo multifrequencial da galáxia NGC 4438, localizada no Aglomerado de Virgem, a cerca de 50 milhões de anos-luz da Terra.
Em sua região central, observações anteriores em raios X e na faixa óptica — obtidas com o observatório espacial Chandra e com os instrumentos Megara e o telescópio espacial HST, respectivamente — revelaram fluxos de gás ionizado, ou seja, ventos colimados de gás que estão sendo ejetados do núcleo para o exterior da galáxia.
Essa descoberta indica que, mesmo nas Liners — apesar de sua baixa luminosidade —, o núcleo galáctico pode impulsionar esses ventos e gerar processos de feedback, influenciando o gás que o rodeia.
“Após essa descoberta, nos perguntamos: se as Liners são os núcleos ativos menos potentes, como podem empurrar o gás para o exterior com tanta força?”, explica Marta Puig-Subirà (IAA-CSIC).
Para tentar responder a essa pergunta, a equipe ampliou o estudo para outros comprimentos de onda com o objetivo de buscar a contrapartida desse fenômeno em diferentes tipos de luz.
Os resultados indicam que os ventos de gás detectados na região central da NGC 4438 poderiam estar sendo impulsionados por um jato muito estreito de partículas — um radiojet — que emerge das proximidades do buraco negro central da galáxia.
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