MADRID 2 jun. (EUROPA PRESS) -
Se você já olhou para a placa de um carro, provavelmente notou que algumas letras nunca aparecem. Isso não é coincidência. Por mais de duas décadas, a Espanha vem aplicando um sistema que exclui deliberadamente certas letras do alfabeto - e não apenas as vogais - para evitar confusão, mal-entendidos ou combinações infelizes.
Mas esse nem sempre foi o caso. Até 2000, as placas de identificação espanholas incluíam inicialmente um código provincial - como M para Madri ou B para Barcelona - seguido por uma sequência numérica e, posteriormente, também por letras. Por exemplo, durante décadas, veículos como um Seat 131 Supermirafiori de Oviedo podiam circular com placas de número do estilo O-0000-O, em que o "O" identificava a província de origem. Esse sistema foi mantido, com variações, de 1900 até a entrada em vigor do atual modelo europeu.
Para unificar os critérios com a União Europeia e evitar a rápida saturação do sistema anterior, a Espanha adotou um modelo alfanumérico que não atribui nenhum significado específico aos códigos das placas.
É ASSIM QUE FUNCIONA O SISTEMA ATUAL
Desde setembro de 2000, as placas espanholas são compostas por quatro números seguidos por três letras, precedidos pela faixa azul da União Europeia com a letra "E" para a Espanha. Esse código não indica o local de origem, mas permite que o veículo seja identificado de forma exclusiva no registro nacional.
Os números variam de 0000 a 9999, dando 10.000 combinações possíveis para cada grupo de letras. Como resultado, o sistema tem uma capacidade planejada de cerca de 80 milhões de placas, o que significa que não se espera que ele se esgote antes de 40 anos, conforme declarado em um artigo na revista Tráfico y Seguridad Vial (Tráfego e Segurança Viária) da Dirección General de Tráfico (DGT).
POR QUE EXISTEM LETRAS PROIBIDAS?
Embora à primeira vista possa parecer uma sucessão aleatória, as letras nas placas de identificação seguem uma lógica clara. O sistema começa com BBB e termina com ZZZ, mas exclui várias letras e combinações para evitar mal-entendidos e palavras inadequadas.
Estas são as nove letras que não são usadas:
A, E, I, O e U: todas as vogais são omitidas para evitar a formação de palavras reconhecíveis ou nomes próprios, como ANA, EVA ou PIS.
CH e LL: essas combinações são consideradas dígrafos em espanhol e não letras individuais, portanto, são deixadas de fora do sistema.
Ñ: pode ser confundido com a letra N, especialmente em contextos internacionais.
Q: seu formato é muito parecido com o O e o número 0, o que pode causar confusão visual.
Portanto, as letras usadas são as consoantes simples, começando com B e terminando com Z, sempre evitando possíveis palavrões ou combinações significativas.
O QUE SE PODE VER EM UMA PLACA DE IDENTIFICAÇÃO?
Embora os códigos atuais não reflitam dados geográficos, a idade do veículo pode ser estimada com base na combinação de números e letras atribuídos. A DGT publica tabelas de orientação para descobrir a que ano corresponde uma determinada placa, o que é útil para calcular a depreciação de um carro ou verificar se um veículo de segunda mão tem a idade declarada.
Além disso, as Forças e o Corpo de Segurança do Estado podem, por meio da placa de número, acessar o nome do proprietário, o estado do MOT, se o veículo tem seguro obrigatório ou se tem multas não pagas.
EM OUTROS PAÍSES, AS PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO PODEM SER PERSONALIZADAS (MEDIANTE PAGAMENTO).
Ao contrário da Espanha, onde a placa é atribuída pela DGT, em países como o Reino Unido ou os Estados Unidos é possível escolher a combinação de letras e números, desde que esteja disponível e você esteja disposto a pagar.
Exemplos de placas de número extremamente caras incluem:
'M1': paga por Mike McCoomb por 373.000 euros em 2006, como um presente para seu filho.
F1': comprada no Reino Unido por Afzal Khan por cerca de 498.000 euros, atualmente em um Mercedes McLaren.
5': nos Emirados Árabes Unidos, mais de 4 milhões de euros foram pagos por essa placa de identificação.
1': o recorde é mantido pela placa de número "1", vendida em 2008 por mais de 8 milhões de euros.
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