JOSE LUIS LARRION-GOBIERNO DE NAVARRA
Na mesma intervenção, foram localizados restos de um leão das cavernas, espécie extinta há aproximadamente 12.000 anos. PAMPLONA 9 fev. (EUROPA PRESS) -
A presidente de Navarra, María Chivite, e a conselheira de Cultura, Esporte e Turismo, Rebeca Esnaola, apresentaram nesta segunda-feira os restos de um esqueleto quase completo de um bisonte de 4.000 anos atrás, descoberto na Sima Arrafela, dentro do Parque Natural de Urbasa e Andía.
A descoberta ocorreu no âmbito de uma intervenção promovida pela Direção Geral de Cultura - Instituição Príncipe de Viana, na qual participam cientistas da Universidade do País Basco-EHU, do Museu de História Natural de Madri, entre outras instituições nacionais e internacionais.
Trata-se de um exemplar quase completo de bisonte, datado por radiocarbono e com uma ponta de flecha de cobre alojada entre as costelas, o que situa o contexto da descoberta no final do Calcolítico (há cerca de 4.000 anos).
Possivelmente trata-se de um bisonte europeu, dado pendente de confirmação por análises de DNA. Em todo caso, trata-se de uma “descoberta única na Península Ibérica”, pois, se for confirmado que são restos de um bisonte europeu, seria a primeira evidência desse tipo de bisonte na Península Ibérica.
A outra alternativa seria que pertencesse ao chamado “Clado X”, conhecido por estudos genéticos. No entanto, não se conhece a anatomia dos bisontes deste clado e, se se confirmar que pertence a este tipo, dispor-se-ia, pela primeira vez, de um esqueleto completo pertencente a essa espécie.
Os membros da equipe que participaram da intervenção classificaram essa descoberta como “excepcional” e “extraordinária e impensável”. Tomando como referência os dentes do siso, que “já nasceram”, eles calcularam que o bisão poderia ter aproximadamente 4 anos de idade. Seu peso poderia ter sido de cerca de 800-850 quilos. A investigação começou em 2024, depois que os pesquisadores confirmaram que os restos não eram de um bovídeo comum. A partir desse momento, começaram os trabalhos em torno dos restos, cuja recuperação ocorreu em outubro de 2025.
Na mesma intervenção e na mesma caverna, foram encontrados restos de um leão das cavernas (Panthera spelaea), espécie extinta há aproximadamente 12.000 anos, o terceiro documentado em Navarra (depois dos sítios arqueológicos de Abauntz e Koskobilo) e o que mais restos forneceu. Além disso, foram encontrados restos de um galo-lira e outra ave de rapina, que ampliam o conhecimento sobre a fauna da Pré-história de Navarra. Em sua intervenção, Chivite indicou que, nos últimos anos, “a arqueologia está nos dando surpresas muito boas”, em referência ao Homem de Loizu ou à Mão de Irulegi. Segundo acrescentou, “o que realmente importa é o que nos ensinam sobre nós mesmos”. A “espetacular” descoberta deste “esqueleto de bisonte bem dimensionado e incrivelmente bem conservado”, salientou, “representa uma novidade na informação que tínhamos até agora sobre a fauna que vivia na Península Ibérica há 4.000 anos”. “Ao dar voz à ciência, silenciamos relatos falsos, que nos falam de um passado simplificado ou diretamente inventado”, afirmou.
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