ALBERTO ORTEGA / EUROPA PRESS.
MADRID 12 jun. (Portaltic/EP) -
Especialistas do setor de tecnologia pediram uma maior simplificação regulatória na União Europeia, com o objetivo de aumentar a competitividade da Europa no campo da inovação tecnológica.
Essa foi a principal conclusão da mesa redonda sobre "Competitividade e regulamentação na economia transatlântica", no âmbito da conferência "Tendências globais 2025", organizada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos (AmChamSpain) em colaboração com a Europa Press.
Isabel Barquin, diretora de Assuntos Governamentais e Políticas Públicas da Salesforce, José Luis Zimmermann, diretor de Políticas Públicas na Espanha e em Portugal da Meta, e Judith Amal, pesquisadora sênior do Real Instituto Elcano, participaram do evento. A mesa redonda foi moderada por Carlos Ochoa, diretor administrativo da FTI Consulting.
Especificamente, os três especialistas defenderam a necessidade de simplificação regulatória na União Europeia, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento e à implementação de inovações tecnológicas, pois acreditam que a atual estrutura regulatória da UE está prejudicando a capacidade de inovação europeia.
Nesse sentido, Barquin comparou os modelos da UE e dos Estados Unidos e destacou que o modelo com o qual a Europa se sente confortável é "ex ante", pois se preocupa que as diretrizes e regulamentações "andem de mãos dadas com seus valores, ética, privacidade e sustentabilidade".
"Em contraste, o modelo americano, o modelo dos EUA, é aquele que adota a regulamentação um pouco 'ex post', ou seja, ele inova primeiro e depois se preocupa em como esses riscos ou danos potenciais podem ser corrigidos", explicou o executivo da Salesforce.
Assim, Barquín recomendou que se encontre um "equilíbrio" para que a Europa e a União Europeia possam inovar, mas ao mesmo tempo tenham um modelo regulatório que permita o dinamismo e "que não fique para trás".
Por sua vez, Amal se referiu ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (GPDR), "o caso paradigmático desse efeito em Bruxelas", e explicou que as autoridades nacionais de proteção de dados implementaram esse regulamento de forma "bastante heterogênea".
Nesse sentido, a pesquisadora deu o exemplo da DeepSeek, empresa chinesa de inteligência artificial, já que a autoridade competente na Itália proibiu a implementação de seu assistente de IA em território italiano, enquanto outros países, como França e Espanha, abriram processos de investigação, e "outros não fizeram nada".
Assim, Amal destacou que não se trata apenas de simplificar as regulamentações em nível europeu ou nacional, mas de implementá-las de forma homogênea em toda a Europa.
GPDR COMO "UM OBSTÁCULO AO CRESCIMENTO", DE ACORDO COM O RELATÓRIO DRAGUI
Zimmermann fez alusão ao relatório Dragui, mencionando que esse estudo, realizado pelo ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, afirma que o GPDR é "claramente um obstáculo ao crescimento".
Por esse motivo, o executivo do Meta afirmou que na Europa "somos extraordinariamente bons em fazer diagnósticos, mas não somos tão bons em colocá-los em prática".
Zimmermman insistiu nessa ideia, exigindo um "direito à inovação", e afirmou que o que a Europa não conseguiu fazer foi converter os valores europeus em "valor econômico". Mesmo assim, o executivo enfatizou que a regulamentação é necessária, "mas essa regulamentação precisa ser ajustada".
A conferência 'Global Trends 2025' é patrocinada pela Amazon Web Services, Bristol Myers Squibb, Coca Cola, Cushman & Wakefield, Deloitte, FTI Consulting, Gilead Sciences, Google, Iberia, Iron Mountain, Pfizer, Salesforce, Banco Santander e SAS.
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