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MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
O Conselho Global sobre Desigualdade, AIDS e Pandemias publicou uma pesquisa que destaca a necessidade de combater a desigualdade — e não se concentrar apenas na capacidade técnica — para poder oferecer uma resposta melhor e contar com uma preparação eficaz diante de futuras pandemias.
A pesquisa, publicada no “New England Journal of Medicine”, apela para que se repense a forma de preparação para pandemias, levando em conta que muitos dos países que obtêm as melhores pontuações em indicadores convencionais — baseados em capacidades técnicas, como laboratórios, cadeia de suprimentos ou capacidade de resposta a emergências — registraram algumas das taxas mais altas de infecção e mortalidade durante as pandemias de Covid-19 e de AIDS.
Países como os Estados Unidos ou o Reino Unido lideraram as listas oficiais de preparação, mas os resultados da pesquisa não mostram nenhuma relação entre essas concepções tradicionais de preparação e o sucesso na prática. Por isso, o estudo insiste que as políticas que garantem apenas a capacidade técnica não são suficientes.
Ao mesmo tempo, a desigualdade surge como o indicador mais claro do desempenho de um país diante de uma pandemia, e os países mais desiguais respondem com menos sucesso do que seus pares mais equitativos.
PROPOSTAS DE AÇÃO
Nesse contexto, os especialistas propuseram quatro ações comprovadas, práticas e acessíveis que os países podem implementar para combater as desigualdades que aumentam o risco de pandemia e responder com maior eficácia ao HIV, à tuberculose, ao ebola e a outras pandemias.
Em primeiro lugar, eles instaram ao reforço da proteção social durante os surtos por meio de medidas como licença médica remunerada, transferências monetárias e auxílios-desemprego, para que ninguém tenha que escolher entre seguir as recomendações sanitárias e alimentar sua família, juntamente com um investimento de longo prazo em moradia, educação e emprego seguro para gerar resiliência antes da próxima crise.
Além disso, instaram à criação de um planejamento multissetorial que envolva os ministérios da Fazenda, do Trabalho e da Educação e integre as organizações comunitárias à resposta, aproveitando as valiosas lições aprendidas durante a pandemia da AIDS.
Como terceira proposta, eles pediram a implementação de um mecanismo de suspensão da dívida para os países que enfrentam emergências, a liberação automática de financiamento internacional de emergência quando for declarada uma pandemia e a ampliação dos empréstimos para pandemias, para que todos os países tenham os meios necessários para responder.
Por fim, destacaram a importância de compartilhar as descobertas científicas e, nesse sentido, recomendaram a concessão de licenças abertas para pesquisas financiadas com recursos públicos, a criação de um fundo global de prêmios que recompense os inovadores e, ao mesmo tempo, permita a produção de medicamentos e vacinas em qualquer lugar, e a ampliação da fabricação regional dos tratamentos e vacinas necessários para conter as pandemias atuais e futuras.
“Durante décadas, o mundo avaliou o grau de preparação de um país para uma pandemia contando seus laboratórios, reservas e planos de resposta”, observou o Prêmio Nobel de Economia e copresidente do Conselho Global, Joseph Stiglitz, acrescentando que, como demonstra esta pesquisa, “isso não é suficiente”.
“A alta desigualdade econômica pode deixar até mesmo nações ricas e bem equipadas perigosamente expostas. A boa notícia é que a desigualdade não é inevitável: é resultado de decisões políticas, e sabemos como mudá-las. Reduzir a desigualdade é agora um dos investimentos mais inteligentes que qualquer governo pode fazer”, destacou.
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