Publicado 16/02/2026 09:00

Especialistas mostram que os telômeros revelam diferenças entre os sexos nas sequelas respiratórias após Covid-19 grave

Especialistas mostram que os telômeros revelam diferenças entre os sexos nas sequelas respiratórias após Covid-19 grave
ISCIII

MADRID 16 fev. (EUROPA PRESS) - Um estudo liderado pelo Centro Nacional de Microbiologia do Instituto de Saúde Carlos III (CNM-ISCIII) mostrou que os telômeros revelam diferenças por gênero nas sequelas respiratórias após sofrer Covid-19 grave, uma vez que isso influencia as sequelas que o paciente com esta doença terá de enfrentar.

Esta investigação, publicada na revista “Frontiers in Immunology”, confirmou que o encurtamento dos telômeros após um quadro grave desta patologia está associado ao aparecimento destas sequelas respiratórias, e que esta ligação não é igual em homens e mulheres. A pesquisa foi realizada com a mesma coorte de pacientes que permitiu, em 2024, descobrir que a Covid-19 grave gera o referido encurtamento dos telômeros.

Os telômeros são sequências genéticas localizadas nas extremidades dos cromossomos que atuam como um “relógio biológico”, explicaram desde esta instituição, acrescentando que seu encurtamento, ligado ao envelhecimento celular, está relacionado a um maior risco de sofrer certas doenças. Agora, confirmou-se que este é um fator associado ao desenvolvimento de complicações respiratórias após um quadro grave de Covid-19, bem como às divergências entre os sexos.

Para realizar este trabalho, que foi coordenado pelas doutoras Amanda Fernández e María Angeles Jiménez, membros da Unidade de Infecção Viral e Imunidade do CNM-ISCIII e do Centro de Investigação Biomédica em Rede de Doenças Infecciosas (CIBERINFEC) deste Instituto, foram analisados dados clínicos de 49 pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) por Covid-19 entre agosto de 2020 e abril de 2021. MEDIÇÃO NO SANGUE POR MEIO DE ENSAIOS DE PCR QUANTITATIVA

A todas elas foi medida a comprimento relativo dos telômeros no sangue por meio de ensaios de PCR quantitativa em tempo real, tanto no momento da hospitalização quanto um ano após a alta. Para esta segunda avaliação, contou-se com mais pacientes, 73 no total, sendo suas principais autoras as pesquisadoras Raquel Behar e Ana Virseda, que contaram com a colaboração dos hospitais universitários do Tajo e Infanta Cristina, ambos localizados em Madri.

Nesse sentido, o CNM-ISCIII especificou que foram avaliados dados de pacientes com quadros graves que, em sua maioria, necessitaram de ventilação mecânica e, em muitos casos, posicionamento em decúbito ventral. Assim, foi estudada a relação entre o comprimento dos telômeros e dois tipos de sequelas respiratórias um ano após a alta: a doença pulmonar parenquimatosa difusa (DPLD, na sigla em inglês), que é um achado radiológico sugestivo de fibrose pulmonar; e um conjunto de sintomas persistentes, como dispneia e dor torácica.

Após um ano, uma parte significativa dos participantes continuava apresentando sintomas respiratórios, enquanto uma proporção menor apresentava sinais radiológicos compatíveis com DPLD. No entanto, nas mulheres, o encurtamento telomérico foi associado à persistência de sintomas respiratórios como dispneia, dor torácica, tosse e expectoração; enquanto nos homens, foi relacionado especificamente ao desenvolvimento de DPLD.

Por tudo isso, esses especialistas afirmaram que o encurtamento dos telômeros pode atuar como um biomarcador do risco de alterações respiratórias relacionadas ao envelhecimento, diferente em homens e mulheres. Essa circunstância poderia servir como marcador prognóstico de sequelas respiratórias a longo prazo, orientando potencialmente a estratificação do risco e as estratégias de acompanhamento individualizado em sobreviventes da Covid-19 após sua internação na UTI.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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