MADRID 9 mar. (EUROPA PRESS) - A psiquiatra da Rede de Saúde Mental de Álava da Osakidetza (Serviço Basco de Saúde), Dra. Nagore Iriarte, e o professor e pesquisador da Universidade do País Basco (UPV/EHU), Mikel Tous, lembraram que prescrever exercícios físicos e contato com a natureza tem evidência científica na depressão, ansiedade e outros transtornos mentais, como esquizofrenia e transtorno bipolar.
Portanto, a incorporação dessas ferramentas na abordagem clínica em Psiquiatria conta com o apoio de guias clínicos internacionais, revisões sistemáticas, metanálises, ensaios multicêntricos e modelos organizacionais de saúde, conforme explicaram Iriarte e Tous.
Ambos participaram do XXXIV Curso Nacional de Atualização em Psiquiatria, realizado em Vitoria-Gasteiz, especificamente em um workshop moderado pelo impulsionador do anel verde deste município de Álava, Luis Orive. “As principais diretrizes clínicas internacionais recomendam o exercício físico como tratamento de primeira linha ou intervenção central na depressão e ansiedade, e como componente essencial na psicose e no transtorno bipolar”, afirmou Iriarte. Entre as principais diretrizes estão “NICE” (Reino Unido), “CANMAT” (Canadá), 'APA' (Estados Unidos), 'EPA' (Europa) e 'Organização Mundial da Saúde (OMS)'", afirmou, destacando que "nesta última se indica que as recomendações na hora de realizar exercício físico, tanto para a população saudável como para a população com doença, devem ser as mesmas".
Em sua opinião, esses elementos informativos ajudam a “individualizar o tratamento” e identificar a que tipo de pacientes prescrever exercícios físicos, “como fazê-lo e em que momento”. Tudo isso “levando em conta, além disso, muitos outros fatores associados, da mesma forma que fazemos com os medicamentos ou as terapias psicoterapêuticas”, enfatizou.
“Temos que levar em conta também barreiras reais (como a motivação, a falta de adesão e os recursos) e implementar estratégias práticas para combatê-las”, continuou, acrescentando que é “fundamental” a aliança com “educadores físicos e esportivos” e “o trabalho multidisciplinar”. “Dessa forma, estaremos realizando uma prescrição personalizada”, defendeu.
Nesse contexto, Iriarte referiu que, “há alguns anos, os benefícios do exercício físico estão sendo estudados de forma sólida, com resultados científicos a favor dele, e seu papel já aparece em guias clínicos, estudos científicos, publicações e meios especializados”. 'PSIQUIATRIA DO ESTILO DE VIDA'
Isso “faz parte de uma mudança de paradigma para um modelo biopsicossocial, denominado ‘Lifestyle Psychiatry’ ou ‘Psiquiatria do estilo de vida’, no qual são integradas diferentes recomendações para o manejo dos sintomas, complementando o tratamento psicofarmacológico”, explicou. O exercício físico “pode ser uma das intervenções mais poderosas para estimular a plasticidade cerebral”, continuou, embora tenha confirmado que “outros fatores também influenciam, como o controle do sono, a dieta e a atenção plena”.
Por sua vez, Tous aprofundou “a relação entre a exposição a espaços verdes e a saúde mental”, que “se consolidou como um campo emergente de investigação com apoio em estudos epidemiológicos, revisões sistemáticas, meta-análises e modelos de implementação sanitária”. “Sob o conceito de ‘Green Therapy’, esta evidência é analisada de uma perspectiva populacional, clínica e organizacional”, afirmou.
“Diversos estudos epidemiológicos mostraram que as pessoas que vivem em áreas mais verdes apresentam menos queixas de saúde e melhores indicadores de saúde mental e física em comparação com aquelas que residem em ambientes com menor disponibilidade de espaços naturais”, assegurou, ao mesmo tempo em que destacou que “a exposição residencial a espaços verdes durante a infância está associada a um menor risco de desenvolver transtornos psiquiátricos desde a adolescência até a idade adulta”. No entanto, ele esclareceu que “os benefícios dependem da quantidade de tempo e da frequência de contato com a natureza”. “Embora ainda não haja um consenso claro, parece que as intervenções mais eficazes foram desenvolvidas durante oito a 12 semanas, com uma dose ideal entre 20 e 90 minutos por sessão”, confirmou, concluindo que “praticar exercício físico na natureza terá benefícios adicionais a nível físico (pressão arterial), mental (estresse e ansiedade) e social, em comparação com a prática em recintos fechados”.
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