Publicado 07/09/2026 08:25

Especialistas exigem adaptações no currículo e protocolos para a inclusão escolar de crianças com doenças reumáticas

Archivo - Arquivo - Crianças em sala de aula
BRAUNS/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 7 set. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Reumatologia (SER) e a Liga Reumatológica Espanhola (LIRE) exigiram que as autoridades implementem adaptações curriculares e organizacionais individualizadas, protocolos específicos nas instituições de ensino e os recursos necessários para garantir a inclusão escolar de crianças com doenças reumáticas.

Com o início do ano letivo, a SER e a LIRE alertaram que essas crianças perdem, em média, 26 dias de aula por ano por motivos de saúde. Além disso, 44% das famílias afirmam que as instituições de ensino não têm conhecimento do impacto das doenças reumáticas no contexto escolar, conforme aponta uma pesquisa da LIRE.

Diante disso, ambas as entidades destacaram que as doenças reumáticas não afetam apenas idosos e que, na Espanha, entre 8.000 e 10.000 crianças e aproximadamente 1% dos menores de 16 anos sofrem de alguma dessas patologias.

“Precisamos que as famílias, os professores e toda a sociedade conheçam essa realidade e compreendam que, por trás de um aluno que falta às aulas, que não consegue participar de uma atividade ou que aparentemente não acompanha o ritmo, pode haver uma doença crônica que nem sempre é visível”, explicou a presidente da LIRE, Ana Vázquez.

CONSEQUÊNCIAS EMOCIONAIS

As doenças reumáticas imunomediadas não afetam apenas as articulações, mas podem causar dor, inflamação, rigidez e fadiga, além de comprometer outros órgãos ou sistemas do corpo. Em crianças e adolescentes, elas também podem ter consequências emocionais, cognitivas e sociais significativas.

Além disso, as faltas escolares, a dificuldade em acompanhar o ritmo dos colegas, a impossibilidade de realizar determinadas atividades ou o sentimento de incompreensão podem favorecer o isolamento e afetar a autoestima. De fato, a SER e a LIRE apontaram que 40% dos menores apresentam sintomas de ansiedade ou depressão relacionados à doença.

Nesse contexto, ambas as organizações defenderam que a resposta a essas patologias vá além da esfera da saúde e alcance o sistema educacional e social. “Um menor não deveria perder oportunidades educacionais porque sua escola não sabe como lidar com sua doença. A dor e a fadiga não são visíveis, mas podem impedi-lo de escrever por muito tempo, de se concentrar, de se locomover, de participar de uma atividade ou simplesmente de frequentar as aulas”, afirmou a presidente da SER, Susana Romero.

Com o objetivo de permitir que esses alunos tenham as mesmas condições que os demais colegas, a SER e a LIRE exigiram que as instituições de ensino contem com profissionais e recursos de apoio que permitam atender de forma individualizada às suas necessidades.

Paralelamente, insistiram na incorporação ou colaboração coordenada de profissionais como enfermeiros, fonoaudiólogos ou terapeutas ocupacionais, bem como no reforço das equipes de orientação para atender às necessidades específicas decorrentes dessas doenças.

ABANDONO ESCOLAR E ACESSO À UNIVERSIDADE

A SER e a LIRE alertaram que o impacto das doenças reumáticas pode levar ao abandono dos estudos e gerar dificuldades para enfrentar etapas de transição, como o acesso à universidade.

Ana Vázquez afirmou que essas situações podem causar estresse tanto nos próprios estudantes quanto em suas famílias. “A colaboração entre profissionais de saúde, instituições de ensino, associações de pacientes e famílias é essencial para garantir uma educação verdadeiramente inclusiva e para que nenhuma criança tenha que abrir mão de seu futuro por causa de uma doença que, além disso, muitas vezes é invisível”, destacou ela.

As duas entidades fizeram um apelo às autoridades para que este ano letivo represente um passo à frente rumo a uma educação verdadeiramente inclusiva, na qual a dor, a fadiga ou uma doença crônica não sejam barreiras para aprender, participar e desenvolver plenamente o potencial de cada criança e adolescente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado