Publicado 08/05/2026 08:58

Especialistas em saúde mental pedem que se "desfaça o mito" da cannabis como substância terapêutica e que se informe a população

Archivo - Arquivo - Close-up de comprimidos prescritos com cannabis medicinal e receita médica
LA SOCIEDAD ESPAÑOLA DEL DOLOR (SED) - Arquivo

MADRID 8 maio (EUROPA PRESS) -

Nos últimos anos, observou-se um aumento nas preparações de cannabis de um de seus componentes, o THC (Delta-9-tetrahidrocanabinol), que é o que parece induzir a patologia mental; por isso, a Sociedade Espanhola de Patologia Dupla pediu para “desmistificar” a cannabis como substância terapêutica e informar a população.

“É claro que certos indivíduos podem se beneficiar de um efeito terapêutico dos derivados da cannabis, como ocorre com todas as drogas, pois todas têm efeitos terapêuticos potenciais, mas também todas as drogas, incluindo a cannabis, são perigosas quando utilizadas de forma recreativa”, destacou o Dr. Rafael Maldonado, catedrático e professor de Farmacologia da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona.

O especialista destacou um estudo publicado na revista “The Lancet” em 2007, que já havia demonstrado que o consumo de cannabis estava relacionado a um aumento de 40% no risco de psicose; e o consumo problemático, a um risco 100% maior. Isso é o que se conhece como patologia dupla, a confluência, na mesma pessoa, de um transtorno por uso de cannabis e um transtorno mental como a psicose.

De fato, estima-se que cerca de 35% dos primeiros episódios psicóticos no Ocidente ocorram em pessoas que apresentam um transtorno por uso de cannabis (TUC) que precedeu a psicose. “No primeiro ano após a comercialização, em Ontário (Canadá), houve um aumento de 30% nos casos de psicose por consumo de maconha, mas se considerarmos a população jovem, de 18 a 24 anos, o aumento foi de 60%”, argumentou.

O consumo entre as mulheres também aumenta após a mudança na regulamentação Outra das mudanças observadas nos países que passaram por alterações na regulamentação da cannabis ocorre no âmbito do gênero. Tradicionalmente, como acontece com quase todas as drogas, existe uma disparidade de gênero, na qual se observa que os homens consomem mais. No entanto, após as mudanças na regulamentação, o que se observou foi uma diminuição dessa disparidade.

E, como apontou o Dr. Rafael Maldonado, não exatamente porque os homens consomem menos, mas porque as mulheres consomem mais. “Um dado muito chamativo e que me parece muito importante é o aumento do consumo observado nos Estados Unidos entre mulheres grávidas, bem como dos casos de transtorno por uso de cannabis. São mulheres que podem se aproximar da cannabis acreditando no mito do efeito terapêutico, mas se esquecem dos efeitos nocivos”, afirmou.

Além disso, acrescentou, estudos realizados em Montevidéu, capital do Uruguai, também observaram um aumento, desde a mudança na regulamentação, no que se refere à sinistralidade veicular associada ao consumo de cannabis. “Nos Estados Unidos, começam a surgir dados que apontam na mesma direção. Portanto, antes de qualquer mudança na regulamentação, assim como são realizadas campanhas muito boas para evitar o consumo de álcool ao volante, deveriam ser realizadas campanhas para evitar dirigir sob o efeito da cannabis”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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