Publicado 01/04/2026 09:10

Especialistas destacam a importância de incorporar a perspectiva de gênero na pesquisa para garantir uma ciência abrangente

Archivo - Arquivo - Paciente internada observando uma radiografia dos pulmões.
TOMML/ISTOCK - Arquivo

MADRID 1 abr. (EUROPA PRESS) -

A incorporação da perspectiva de gênero na pesquisa clínica é “indispensável” para garantir uma ciência rigorosa, ética, útil e abrangente para toda a população, segundo os especialistas que participaram do evento patrocinado pela GSK e organizado em colaboração com a Associação Nacional de Comitês de Ética (ANCEI), a Plataforma SCReN do Instituto de Saúde Carlos III, o IDIS Santiago, a Farmaindustria e a Associação Espanhola de Câncer de Mama Metastático (AECMM).

No encontro, ficou claro que os preconceitos de gênero “continuam presentes em todas as fases do sistema de saúde”, desde a pesquisa básica até o diagnóstico, o tratamento e a experiência das pacientes.

O presidente da Academia Europeia de Pacientes sobre Inovação Terapêutica (EUPATI) Espanha, David Trigos, afirmou que “a qualidade científica não depende apenas do método, mas também do olhar”. Por isso, destacou o “papel fundamental” das mulheres nas associações de pacientes, onde são referências, líderes e, em muitos casos, maioria, promovendo uma participação mais próxima e conectada com a realidade das pessoas.

Trigos, ao mesmo tempo, defendeu que o desafio é incorporar diversidade real na pesquisa: mais experiências, mais conhecimento e mais perspectivas. Somente assim, observou, será possível “construir uma ciência mais rigorosa, mais justa e representativa”.

SUBDIAGNÓSTICO EM MULHERES

Por sua vez, a diretora-geral de Humanização, Atendimento e Segurança do Paciente da Comunidade de Madrid, Celia García Menéndez, da Secretaria de Saúde, detalhou que as mulheres recebem 50% menos angiografias coronárias ou que doenças como a endometriose ou o TDAH continuam sendo diagnosticadas mais tardiamente. Além disso, apesar de representarem mais de 70% dos casos de Alzheimer, elas quase “não são analisadas de forma específica em estudos”.

Em patologias como o câncer ou o diabetes, elas sofrem atrasos de anos no diagnóstico, e há uma maior tendência de atribuir sintomas a causas psicológicas nas mulheres.

De fato, a especialista María Teresa Ruiz Cantero alertou que as mulheres têm mais probabilidades de serem diagnosticadas corretamente quando apresentam sintomas “típicos” masculinos, o que é conhecido como “síndrome de Yenti”. A isso somam-se vieses cognitivos, falta de formação específica e uma narrativa médica que nem sempre reflete “adequadamente a experiência das pacientes”.

Mesmo assim, os especialistas concordaram que não basta apenas incluir mulheres nos estudos, pois é “necessário que elas estejam representadas de forma proporcional à prevalência de cada doença e que os resultados sejam analisados por subgrupos”. Os especialistas alertaram que o uso de linhas celulares sem informações sobre o sexo de origem ou o desenvolvimento de medicamentos sem um perfil diferenciado também constituem “lacunas” na pesquisa básica.

Os comitês de ética têm reivindicado a superação de uma visão limitada e binária da perspectiva de gênero, bem como a importância de melhorar a formação específica.

A indústria farmacêutica, por sua vez, destacou os avanços na representação feminina, embora tenha reconhecido que ainda existem lacunas em cargos de liderança, e defendeu que integrar essa perspectiva é também uma oportunidade estratégica. Por sua vez, as pacientes exigiram que a pesquisa leve em conta a vida real: qualidade de vida, saúde emocional, impacto social e carga mental, fatores ainda pouco medidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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