MADRID 7 jul. (EUROPA PRESS) -
O Instituto de Saúde Carlos III realizou um evento informativo no qual especialistas destacaram que a exposição a campos e ondas eletromagnéticas, que são radiações não ionizantes, é controlada por limites máximos permitidos que se mantêm abaixo dos níveis considerados de risco e que, além disso, são estabelecidos com base no princípio da precaução.
Essa mensagem tranquilizadora foi repetida em todas as intervenções deste encontro, que, conforme detalhado pelo ISCIII em um comunicado, teve como foco o projeto “Interação das ondas e a sociedade: ciência acessível para as Administrações Públicas”, com o objetivo de compartilhar conhecimento científico sobre como se investiga o possível impacto dos campos eletromagnéticos na saúde.
O projeto “Interação entre ondas e sociedade: ciência acessível para as Administrações Públicas”, realizado em colaboração com o Ministério da Saúde, busca gerar e divulgar informações claras e compreensíveis sobre o possível impacto na saúde da exposição a campos eletromagnéticos (CEM), com base nas evidências científicas disponíveis, além de criar ferramentas de divulgação que promovam a confiança nas instituições públicas.
A pesquisadora do ISCIII, Arancha Sanchís, que lidera o projeto, destacou que ele permitirá “uma maior compreensão e coordenação entre a comunidade científica e o governo, facilitando a tomada de decisões fundamentadas em evidências e no conhecimento científico, e contribuindo para uma adoção informada das tecnologias baseadas em CEM pela sociedade, graças à promoção da cultura científica”.
O evento divulgativo realizado pelo Instituto contou com a abertura do subdiretor-geral de Saúde Ambiental e Saúde Ocupacional do Ministério da Saúde, Santiago González, e da diretora do Centro Nacional de Saúde Ambiental do ISCIII, Ana Cañas. O encontro foi moderado pelo subdiretor de Comunicação e da Unidade de Cultura Científica da Universidade de Castela-La Mancha, Román Escudero.
Nesse contexto, ocorreram duas sessões participativas nas quais foram abordados os fundamentos, as características, a origem e as aplicações desses agentes físicos, além de se analisar os limites da proteção à saúde e aprofundar as ferramentas da comunidade científica para enfrentar o desafio de informar a sociedade.
COMUNICAR COM RIGOR
Em seguida, por meio de três palestras, foram apresentados os critérios internacionalmente aceitos nas revisões da literatura científica mais recente, bem como o papel da comunidade científica em comunicar com rigor e informar as administrações públicas e a sociedade.
Nessas palestras, também foram apresentadas as medidas de controle regulatório da infraestrutura de telefonia móvel e as medidas de monitoramento adotadas para avaliar a exposição ambiental e pessoal. Foi dada ênfase tanto à exposição a radiofrequências geradas pelas novas tecnologias sem fio, como o 5G, quanto aos campos magnéticos de baixa frequência provenientes da infraestrutura de transporte e distribuição de energia elétrica.
Na última palestra, foram analisadas diversas questões de percepção social que devem ser consideradas para facilitar o papel comunicativo da comunidade científica, compreendendo melhor a origem das preocupações sociais em relação aos campos eletromagnéticos (CEM).
Ao longo do evento, foram destacadas certas lacunas na pesquisa, como a falta de conhecimento sobre os mecanismos biológicos que poderiam explicar certas associações, como entre a leucemia infantil ou a doença de Alzheimer e os campos magnéticos de baixa frequência.
Nessa linha, também foram abordados aspectos de dosimetria para uma determinação mais precisa dos limiares dos efeitos térmicos que determinam a proteção contra as radiofrequências, abordados por meio de gêmeos digitais de alta precisão.
Em suma, concluiu-se que a existência de áreas nas quais são necessários mais dados, a manutenção da vigilância da exposição e a avaliação contínua da literatura científica, juntamente com o fortalecimento da comunicação com a sociedade, continuam impulsionando a pesquisa sobre os possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos na saúde.
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