GRANADA 25 maio (EUROPA PRESS) -
Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) e publicado na revista Astronomy & Astrophysics destaca que as galáxias em vazios cósmicos conservam melhor o gás e formam estrelas por mais tempo.
Isso foi divulgado em um comunicado à imprensa no qual se detalha que o Universo não está distribuído de maneira uniforme, mas organizado em uma grande estrutura conhecida como rede cósmica, formada por aglomerados de galáxias conectados por filamentos e paredes, entre os quais se estendem enormes regiões quase desérticas conhecidas como vazios cósmicos.
Até o momento, a maioria dos estudos sobre as galáxias que habitam esses ambientes isolados as analisava considerando toda a sua luz como se procedesse de um único ponto.
Agora, o referido estudo utilizou dados de espectroscopia de campo integral para analisar, pela primeira vez com esse nível de detalhe, como o ambiente cósmico influencia a evolução de mais de duzentas galáxias.
“Nossos resultados indicam que as galáxias situadas em vazios cósmicos conservam melhor seu gás e mantêm uma formação estelar mais ativa, especialmente em suas regiões externas e em galáxias em transição entre espirais e elípticas”, afirma Ana Conrado, pesquisadora do IAA-CSIC que lidera o trabalho.
SOB A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE GALÁCTICO
Os vazios cósmicos são regiões muito extensas da rede cósmica com uma densidade de matéria extremamente baixa. No entanto, isso não significa que estejam completamente vazios, mas sim que contêm menos galáxias do que outras regiões do Universo.
Justamente por suas condições extremas, esses ambientes constituem um laboratório único para estudar como o ambiente influencia a evolução galáctica.
Até agora, a maioria das pesquisas sobre galáxias em vazios cósmicos havia se concentrado em suas propriedades integradas. “Seria como estudar uma cidade observando apenas seu brilho do espaço: não poderíamos distinguir bairros, ruas ou zonas com características diferentes”, explica o pesquisador do IAA e segundo autor do trabalho, Rubén García Benito.
No entanto, as galáxias são sistemas complexos e heterogêneos. “Para compreender como elas evoluem, é necessário estudar como essas propriedades mudam dentro de cada galáxia”, acrescenta.
Para isso, a equipe científica utilizou dados de espectroscopia de campo integral do projeto CAvity, uma iniciativa pioneira cujo objetivo é compreender como a estrutura em grande escala do Universo influencia a formação e a evolução das galáxias.
O projeto tem sua base no Observatório de Calar Alto (Almería), gerenciado cientificamente pelo IAA-CSIC. Graças a esses dados, a equipe pôde analisar em detalhes o gás ionizado de mais de duzentas galáxias situadas em vazios cósmicos e compará-lo com o de galáxias localizadas em outros ambientes da rede cósmica.
“Os resultados mostram que as galáxias dos vazios apresentam uma formação estelar mais intensa e uma menor extinção, relacionada a uma menor quantidade de poeira”, destaca Rosa M. González, pesquisadora do IAA-CSIC que faz parte do estudo.
O efeito é especialmente evidente em galáxias que se encontram em transição entre espirais e elípticas, o que sugere que esse processo evolutivo ocorre de forma mais lenta nos vazios cósmicos.
Além disso, observou-se que as partes mais influenciadas são as regiões externas, ou seja, os discos das galáxias espirais. Além disso, com base em medições indiretas, o estudo aponta que as galáxias situadas em vazios contêm uma maior quantidade de gás, possivelmente porque o conservam melhor ou porque recebem um aporte mais contínuo do ambiente que as rodeia.
“Isso pode se dever ao fato de que as galáxias em vazios evoluem de forma mais lenta e menos perturbada, o que lhes permitiria conservar seu gás e manter a formação estelar por mais tempo”, destaca Ana Conrado (IAA-CSIC). A pesquisadora destaca ainda que “os resultados coincidem com nosso trabalho anterior sobre as propriedades das estrelas em galáxias em vácuos”, reforçando a ideia de que o ambiente cósmico desempenha um papel fundamental na evolução galáctica.
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