Publicado 19/06/2026 08:52

Especialistas defendem, no Congresso, o aumento do preço do álcool para reduzir as doenças hepáticas

Alerta sobre o risco de câncer de fígado causado pela hepatite Delta

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GILEAD

MADRID, 19 jun. (EUROPA PRESS) -

O chefe do Serviço de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Universitário Puerta de Hierro, em Madri, José Luis Calleja, defendeu no Congresso dos Deputados a aplicação de políticas fiscais que aumentem o preço das bebidas alcoólicas para reduzir seu consumo, considerando que essa é uma das medidas mais eficazes para diminuir a incidência de doenças hepáticas associadas ao álcool.

“Além de termos acesso a futuras inovações terapêuticas, precisamos de ação política. São necessárias políticas de financiamento e, sobretudo, fiscais em relação ao álcool, já que seu consumo reduz de forma muito significativa a carga de doenças hepáticas”, destacou Calleja durante o evento “Abordagem atual das doenças hepáticas: um desafio de saúde pública e equidade social”, que ele coordenou.

No evento, que contou com a colaboração da Gilead, Calleja destacou que os dois principais problemas da saúde hepática são o consumo de álcool e a esteatose hepática metabólica. Nesse sentido, ele também defendeu a promoção de políticas fiscais que favoreçam o acesso a alimentos saudáveis, com o objetivo de reduzir as taxas de obesidade e sobrepeso, que afetam cerca de 40% da população espanhola, especialmente entre os jovens, e que, segundo ele alertou, resultarão em um aumento das doenças hepáticas metabólicas no futuro.

Por sua vez, o diretor científico da Coorte da Cantábria, Javier Crespo, defendeu a regulamentação da publicidade, do acesso e da rotulagem de alimentos ultraprocessados, que definiu como “produtos comerciais destinados ao consumo, mais do que como alimentos”.

Nesse contexto, a diretora-geral de Saúde Pública do Ministério da Saúde, Pilar Aparicio, concordou com a opinião, ressaltando a necessidade de reforçar as políticas de prevenção das doenças hepáticas. “No que diz respeito ao álcool, precisamos de uma união da sociedade para combatê-lo, pois se trata de um setor econômico poderoso, mas não pode estar acima da saúde”, afirmou.

HEPATITE DELTA E COLANGITE BILIAR PRIMÁRIA

Durante o evento, também foram abordadas duas doenças hepáticas raras, como a hepatite Delta e a colangite biliar primária. Nesse ponto, Calleja defendeu a implementação sistemática do rastreamento da hepatite Delta em todas as pessoas com hepatite B e doença ativa, bem como a generalização do diagnóstico duplo reflexo (DDR) na hepatite Delta, com o objetivo de evitar diagnósticos tardios, facilitar o acesso precoce ao tratamento e reduzir complicações graves, como a cirrose ou o câncer de fígado.

Essa mudança de abordagem é respaldada, além disso, pela recente classificação do vírus da hepatite Delta como carcinógeno para humanos pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer (IARC), subordinada à Organização Mundial da Saúde.

“Temos restrições em todo o território nacional para tratar pacientes com estágios menos avançados de hepatite D ou colangite biliar primária. Precisamos ser capazes de levar a inovação terapêutica também aos pacientes que não apresentam doença hepática avançada, justamente para evitar que a doença progrida e chegue a situações mais graves”, afirmou Calleja.

Em seguida, Crespo pediu que se prestasse atenção a essas doenças raras: “A Espanha já dispõe de uma estratégia nacional para as doenças hepáticas; o desafio agora é aplicá-la, adaptando-a aos novos desafios, de modo a melhorar o diagnóstico precoce, reduzir as desigualdades e garantir que os avanços cheguem a todos os pacientes”.

MAIS DE 600 FÍGADOS FORAM DESCARTADOS PARA TRANSPLANTE EM 2025

Por sua vez, a diretora-geral da Organização Nacional de Transplantes (ONT), Beatriz Domínguez-Gil, explicou que, em 2025, 613 fígados foram descartados na Espanha para transplante após serem avaliados pelas equipes de retirada, por não atenderem às condições necessárias para sua utilização.

“Um em cada três fígados que foram retirados não era válido para transplante e essa porcentagem, de 33%, aumenta ano após ano”, destacou ela.

Domínguez-Gil esclareceu que a esse número somam-se os doadores em potencial que já apresentavam uma doença hepática conhecida ou nos quais foi detectada uma patologia hepática aguda ou crônica durante o processo de avaliação. “Esses dados nos mostram que a situação da saúde hepática da nossa população é preocupante”, afirmou.

A responsável pela ONT destacou que uma das principais causas de descarte é a esteatose hepática, associada tanto a fatores metabólicos quanto ao consumo excessivo de álcool. Nesse sentido, ela defendeu o reforço da promoção de hábitos de vida saudáveis e apostou no incentivo à inovação e na melhoria dos sistemas de informação e registros clínicos para se ter uma visão mais precisa do impacto real das doenças hepáticas na Espanha.

No entanto, Domínguez-Gil destacou o impacto que o tratamento da hepatite C teve na redução do número de transplantes de fígado na Espanha durante a última década. Conforme explicou, há dez anos cerca de 2.300 pacientes permaneciam na lista de espera para um transplante de fígado, enquanto atualmente esse número se reduziu em cerca de 600 pessoas, situando-se em torno de 1.700 pacientes, graças aos avanços terapêuticos no combate a essa doença.

“Existem poucas políticas de saúde que ilustrem tão claramente como uma estratégia de saúde pública pode se traduzir em um benefício direto para os pacientes”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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