MADRID 10 abr. (EUROPA PRESS) -
A realização da nona edição do Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Cuidados Paliativos Pediátricos (PEDPAL) serviu para confirmar a opinião compartilhada pelos especialistas de que a assistência em cuidados paliativos pediátricos deve ser prestada 24 horas por dia em todo o território nacional.
“Nosso horário das 8h às 15h não está de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) nem é eticamente aceitável”, declarou o pediatra do Hospital de Cruces de Bilbao, na província de Biscaia, o Dr. Jesús Sánchez, que acrescentou que “a doença e a morte não respeitam horários”.
Por ocasião deste encontro, realizado em Tenerife, os especialistas destacaram que é necessário profissionalizar os cuidados e garantir a equidade na assistência, pois, apesar dos recentes avanços políticos, a implantação real de um modelo de atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana, em todo o país é a única maneira de evitar o colapso das famílias e dos próprios profissionais.
“Estamos passando de uma especialidade marginal para uma situação em que a sociedade percebe sua importância, mas a situação continua muito precária em muitas províncias”, declarou o presidente da organização anfitriã, o Dr. Álvaro Navarro, que acrescentou que “há regiões atrasadas nas quais não se está dedicando a energia necessária e é preciso reverter essa situação”.
EVITAM-SE “INTERNAÇÕES DESNECESSÁRIAS”
Da mesma opinião é a enfermeira especialista Susana Jordá, que proferiu a palestra de abertura deste evento realizado diante de 350 especialistas e sob o lema “Escalando juntos rumo ao topo dos cuidados”. “A tranquilidade de uma família também é um resultado em saúde”, destacou, após o que afirmou que, com o modelo 24/7, evitam-se “internações desnecessárias” e economizam-se “custos em atendimentos de emergência e transporte médico”.
“A questão já não é se fazer isso, mas como aqueles que têm a responsabilidade de decidir vão justificar não fazê-lo”, continuou ela, enquanto Sánchez, que foi nomeado Membro Honorário da PEDPAL, foi qualificado por Navarro como “um exemplo de coragem”, por atender fora do horário estabelecido, o que lhe rendeu uma punição.
Na opinião do principal representante dessa sociedade científica, não se pode “permitir que a assistência profissional dependa de um médico sacrificar seu tempo pessoal por compromisso ético”. “Quando os pais têm uma equipe conhecida do outro lado da linha às três da manhã, evita-se que a família fique paralisada pelo medo”, destacou a esse respeito o psicólogo Juan Luis Marrero, membro do Hospital Universitário Virgen del Rocío de Sevilha.
“Uma criança que vive em uma ilha fora da capital ou em uma zona remota pode ter seu acesso a determinados cuidados condicionado”, indicou, por sua vez, a presidente do Comitê Organizador deste Congresso, a doutora Montse González, enquanto Lucía Cabido, em representação das famílias, afirmou que “não pode haver cidadãos de primeira e de segunda classe dependendo de onde moram”.
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