JUANMA JIMÉNEZ/EUROPA PRESS
LETUR (ALBACETE), 17 (EUROPA PRESS) A melhoria na digestão ou o enriquecimento da microbiota posicionam os laticínios de cabra como uma boa alternativa na dieta para os consumidores que desejam ampliar sua variedade nutricional ou que sofrem de desconfortos digestivos, conforme destacam especialistas em nutrição e saúde.
O evento “Entender o que comemos”, realizado em Letur (Albacete) pela Cantero de Letur, serviu de pano de fundo para aprofundar esse debate e contou com a presença da nutricionista Blanca García-Orea e do divulgador em saúde Marcos Vázquez. García-Orea considera que a digestibilidade dos laticínios de cabra ajuda pessoas com problemas digestivos. “A cabra acaba sendo o alimento mais bem tolerado. Por ter menos lactose, é mais digestível”, enfatizou a nutricionista, acrescentando que essa tolerância aumenta quando se trata de produtos fermentados.
Nesse ponto, ela argumentou também que a proteína beta-caseína A1, presente no leite de vaca e nos laticínios de vaca, é “um pouco mais inflamatória”, segundo alguns estudos, e “no entanto, a beta-caseína tipo A2, presente nos laticínios de cabra e ovelha, é mais semelhante ao leite materno e é mais bem digerida”.
Além disso, conforme explicou, produtos probióticos como o kefir ou o iogurte fornecem “bactérias boas”, o alimento que enriquece a microbiota, que é o conjunto de microrganismos que atuam como barreira de defesa contra doenças.
As bactérias “boas” ajudam a “sintetizar as vitaminas do grupo B e a vitamina K, que o ser humano não é capaz de sintetizar por si mesmo”, e também digerem “a fibra” — o alimento das “bactérias boas” —, que o ser humano também não tem capacidade de digerir.
Além disso, essa nutricionista destacou que promover uma alimentação saudável é um dos principais elementos para melhorar o estado da microbiota. “Quando o intestino funciona bem, ele deixa passar o que é bom; caso contrário, essa ‘zíper’ ficará aberta, e tanto o que é bom quanto o que é ruim passarão para a sangue, aumentando a probabilidade de se contrair qualquer tipo de doença”. REDUZIR OS NÍVEIS DE INFLAMAÇÃO
Por sua vez, Marcos Vázquez destacou que o consumo de laticínios fermentados em geral, e especificamente os de cabra, “reduz os níveis de inflamação” e tem um “efeito regulador comprovado sobre a microbiota”.
Os laticínios de cabra têm mais proteína, “muito necessária” na dieta, e podem ser úteis para aquelas pessoas que sentem desconforto intestinal com os laticínios de vaca, porque “podem tolerar perfeitamente os de cabra”, por terem “ácidos graxos mais pequenos e, portanto, mais facilmente assimiláveis”, além de conterem a proteína beta-caseína A2, que é mais fácil de digerir.
Para esses casos, Vázquez recomendou dar uma “oportunidade” a esses laticínios, para aproveitar esses benefícios em termos de digestibilidade. Em sua apresentação, ele quis desmistificar alguns mitos sobre os laticínios, um produto que é visto como “suspeito” em um contexto de “ruído midiático” e de redes sociais.
Um deles, mencionou, é que “todos os laticínios são iguais”, pois é preciso priorizar aqueles que não são adoçados, ou que “os desnatados são melhores” do que os integrais, porque a evidência científica demonstrou que isso não é verdade. MAIS DICAS PARA A SAÚDE
Além do debate sobre os benefícios dos laticínios, ambos os divulgadores responderam a questões levantadas nesse contexto de debate na cidade de Albacete. Ambos concordaram que o descanso, a vida ativa e o consumo de alimentos de verdade são a combinação ideal para aumentar a longevidade.
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