Publicado 04/03/2026 11:09

Especialistas acreditam que os critérios atuais da síndrome dos ovários policísticos podem favorecer o sobrediagnóstico.

Archivo - Arquivo - XXIII Jornadas Nacionais HM Gabinete Velázquez. Atualizações em Ginecologia e Obstetrícia
HM HOSPITALES - Arquivo

MADRID 4 mar. (EUROPA PRESS) - Especialistas reunidos nas “XXIII Jornadas Nacionais HM Gabinete Velázquez. Atualizações em Ginecologia e Obstetrícia” concordaram que os critérios diagnósticos atualmente em vigor no âmbito da síndrome dos ovários policísticos podem ser insuficientes ou até mesmo favorecer diagnósticos falsos, o que evidencia a necessidade de revisar e atualizar os parâmetros clínicos para evitar a medicalização excessiva e melhorar a precisão do diagnóstico.

Durante dois dias, especialistas de renome nacional e internacional reuniram-se para analisar e partilhar as últimas novidades em torno dos principais desafios que a saúde da mulher enfrenta. Nesta nova edição, questões como contracepção, menopausa, síndrome dos ovários policísticos, patologia cervical associada ao vírus do papiloma humano (HPV) e avanços na infertilidade foram o foco de alguns dos aspectos do debate científico, consolidando este encontro como um fórum de referência na especialidade.

O tratamento multidisciplinar da paciente com câncer de mama metastático, a cirurgia mamária assistida pelo robô SP, as dúvidas e consultas mais frequentes sobre o vírus do papiloma humano (HPV) ou as diferentes patologias ginecológicas também ocuparam um lugar de destaque na agenda das jornadas deste ano, cujo Comitê Científico e Organizador foi formado pelas Dras. Silvia P. González e Dra. Dolores Ojeda, especialistas em ginecologia e obstetrícia; e pelo Dr. Luis Serrano, especialista em ginecologia e obstetrícia do HM Gabinete Velázquez.

No campo da contracepção, foram apresentados novos estudos que analisaram a segurança e a eficácia desses tratamentos, com especial atenção ao perfil trombótico dos contraceptivos hormonais combinados. O professor Jonathan Douxfils, chefe da Unidade de Pesquisa em Farmacologia Clínica da Universidade de Namur, na Bélgica, apresentou uma atualização sobre as novidades em contracepção hormonal oral com foco no estetrol (E4), o primeiro estrogênio seletivo natural (NEST).

Durante sua intervenção, o especialista analisou o impacto sanitário e social da tromboembolia venosa associada a esses tratamentos, bem como a necessidade de otimizar seu perfil de segurança. Nesse sentido, dados recentes de farmacovigilância e análises de desproporcionalidade provenientes das bases EudraVigilance e FAERS apontam para uma menor proporção de notificações de eventos tromboembólicos com contraceptivos que contêm estrogênios naturais em comparação com aqueles com etinilestradiol, sendo a combinação estetrol/drospirenona a que apresenta o perfil mais favorável.

Na opinião da Dra. González, “as evidências atuais apoiam que o uso de estrogênios naturais, e em particular do estetrol, poderia representar um avanço relevante na segurança da contracepção hormonal oral, abrindo a porta para uma possível reavaliação dos contraceptivos combinados do ponto de vista do risco trombótico venoso, o que abre a porta para um grande avanço na abordagem da contracepção hormonal combinada”.

A menopausa também ocupou um lugar de destaque no desenvolvimento das jornadas, com um enfoque que transcende os sintomas clássicos, como as ondas de calor, para incorporar outros aspectos menos visíveis, mas de grande impacto, como a queda de cabelo, o aumento de peso ou os distúrbios do sono. Os especialistas sublinharam que a insónia nesta fase não só afeta a qualidade de vida, como também pode aumentar o risco cardiovascular nas mulheres.

Na patologia mamária, foram apresentados avanços na cirurgia robótica e endoscópica que permitem oferecer tratamentos minimamente invasivos com melhores resultados estéticos, reduzindo ao mesmo tempo a morbidade e garantindo uma recuperação mais rápida das pacientes. Enquanto isso, a patologia associada ao vírus do papiloma humano gerou um amplo debate sobre a necessidade de homogeneizar critérios e mensagens na prática clínica. Nesse sentido, o Dr. Luis Serrano destaca que, “mais do que deficiências na assistência, o que existe é uma notável confusão que, às vezes, se transfere para as pacientes por meio de informações diversas e contraditórias, especialmente diante das diferenças entre os programas públicos de rastreamento e o conceito de revisão na saúde privada”.

AVANÇOS NA INFERTILIDADE: INOVAR É DECIDIR MELHOR A atualização em infertilidade também ocupou um espaço relevante no programa científico. A Dra. Ana Gaitero, diretora médica do HM Fertility Center, destacou que a verdadeira inovação na reprodução assistida não consiste em fazer mais testes, mas em tomar melhores decisões com maior respaldo científico e de forma personalizada. Nesse sentido, a incorporação da inteligência artificial na seleção embrionária permite maior objetividade no laboratório, reduzindo a subjetividade e melhorando a consistência dos resultados.

“A grande revolução na fertilidade não é fazer mais, mas escolher melhor quem, quando e como tratar”, destacou Gaitero, que também esclarece que, “na fertilidade, o tempo é um fator prognóstico determinante, portanto, saber quando encaminhar e quais testes têm respaldo científico evita atrasos desnecessários e reduz intervenções sem benefício comprovado, especialmente em situações complexas como o aborto repetitivo”.

A especialista insiste na importância de evitar cascatas diagnósticas desnecessárias que geram ansiedade e custos adicionais sem melhorar o prognóstico e destaca o papel fundamental do ginecologista geral como porta de entrada para o sistema.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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