Publicado 06/01/2026 06:00

Especialistas aconselham menos presentes e mais brincadeiras compartilhadas para evitar a "ressaca emocional" das crianças após a Ep

Archivo - Arquivo - Irmãos abrindo presentes nas manhãs de Natal
SOLSTOCK/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 6 jan. (EUROPA PRESS) -

O psicólogo Jorge Buenavida recomendou dar menos presentes e acompanhá-los com tempo compartilhado para evitar a irritabilidade ou as birras que algumas crianças podem ter depois dos Três Reis Magos, algo conhecido como "ressaca emocional".

"Priorizar menos presentes e acompanhá-los com tempo compartilhado favorece uma experiência mais rica do ponto de vista emocional, já que o valor do brinquedo não está apenas no objeto, mas na interação durante o jogo", indicou o especialista.

Nesse contexto, Buenavida explicou que algumas crianças apresentam mudanças em seu comportamento após a Epifania, o que pode causar preocupação nas famílias. Ele destacou que a irritabilidade, as birras mais frequentes, o nervosismo ou a apatia podem aparecer nos dias seguintes, mesmo que a experiência tenha sido positiva. Essas reações, acrescentou, geralmente não indicam um problema de comportamento, mas sim uma dificuldade específica de adaptação ao final de um período marcado por alta intensidade emocional e mudanças de hábitos ou rotinas.

De acordo com a especialista, durante as semanas que antecedem a Epifania, é gerado um clima de expectativa que altera as rotinas habituais e expõe as crianças a um número maior de estímulos e mudanças contextuais. A antecipação constante e o foco nos presentes aumentam seu nível de ativação diária. Quando esse período chega a um fim abrupto e a normalidade retorna, algumas crianças precisam de tempo para se reajustar emocionalmente.

"Na infância, a expectativa desempenha um papel importante. Quando ela desaparece abruptamente, pode ocorrer uma queda no humor, que se manifesta na forma de irritabilidade ou tolerância reduzida à frustração. Se também houver fadiga acumulada ou falta de descanso, a regulação emocional se torna mais complexa", explica Buenavida.

Ela também enfatiza que o tipo de brincadeira e a maneira pela qual os presentes são apresentados também influenciam esse processo. Receber muitos brinquedos de uma vez, mudar rapidamente de um brinquedo para outro ou prolongar o tempo de brincadeira sem intervalos pode aumentar a superexcitação. O acúmulo excessivo de estímulos prejudica a capacidade da criança de escolher, concentrar-se e aproveitar a brincadeira, levando à frustração quando a novidade passa. Nesses casos, as reações intensas não respondem à saturação emocional.

"Quando o nível de ativação é alto, qualquer limite é vivenciado com mais intensidade. Por esse motivo, é útil antecipar as mudanças, concordar com os horários das brincadeiras e propor alternativas mais calmas quando surgirem sinais de cansaço", acrescenta Buenavida, psicólogo da Blua de Sanitas.

Por esse motivo, ele aconselha incentivar as crianças a entender o esforço por trás dos presentes e a desenvolver uma percepção ajustada de seus recursos, pois isso contribui para a aquisição de habilidades emocionais, como gratidão, espera e tolerância à frustração. Para o especialista, esse aprendizado favorece uma melhor regulação emocional em curto prazo e tem um impacto positivo em seu desenvolvimento pessoal e social em longo prazo.

Nesse contexto, o psicólogo ressalta que a quebra de rotina inerente às férias se soma a isso. Por esse motivo, ele ressalta que dormir menos horas, mudar o horário das refeições ou reduzir os momentos de calma afetam o equilíbrio emocional.

"O retorno à escola e às obrigações habituais pode ser percebido como uma perda. Na maioria dos casos, esse processo de adaptação é resolvido em poucos dias, embora se deva prestar atenção quando o desconforto é prolongado, afeta o sono, interfere na vida escolar ou é acompanhado de intensa ansiedade", explica.

Nessas situações, a especialista recomenda uma avaliação profissional, presencial ou por videoconsulta, pois isso permite orientar a família e descartar outros fatores.

ANESTESIA DO DESEJO

Nesse sentido, a professora da Licenciatura em Psicologia e do Mestrado em Neuropsicologia Clínica da VIU e codiretora da Cátedra VIU-NED, María José García-Rubio, alertou sobre a "anestesia do desejo", um fenômeno neurobiológico causado pelo excesso de presentes que anula a capacidade de prazer da criança.

"É a superexposição a estímulos de recompensa, como presentes constantes ou recompensas imediatas, que reduz a sensibilidade do sistema de recompensa da criança", explicou ela.

Em nível neurobiológico, a avalanche de presentes tem um efeito direto. De acordo com Rubio, no curto prazo há um "pico dopaminérgico intenso" associado à novidade. Entretanto, quando os presentes são muitos ou muito frequentes, "o cérebro deixa de percebê-los como algo especial".

"O sistema dopaminérgico se adapta e a resposta de prazer é atenuada: o mecanismo de recompensa fica 'saturado' e deixa de reagir de forma saudável à novidade", diz o especialista da VIU. A consequência direta é que o desejo perde sua função de motor motivacional e se torna uma "busca contínua por mais estímulos", mas com menos capacidade de prazer real.

Diante dessa situação, o professor da VIU não propõe a proibição de presentes, mas sim a aplicação de uma regra de ouro para o consumo consciente: "Menos é mais quando é acompanhado de significado".

A neurociência também recomenda priorizar experiências compartilhadas (tempo de qualidade, atividades ao ar livre ou culturais) em vez de objetos materiais. "Essas experiências ativam redes cerebrais ligadas à conexão social e à autorregulação, que são muito mais estáveis do que os circuitos dopaminérgicos associados à novidade material", conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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