Publicado 09/09/2026 13:36

Especialista pede que não se ignore a existência do “suicídio oculto” entre idosos causado pela solidão indesejada

Archivo - Arquivo - Olho de uma mulher idosa com Alzheimer
TRIOCEAN/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 9 set. (EUROPA PRESS) -

A psiquiatra e coordenadora da Área de Saúde Mental da Fundação Hospitalarias da Cantábria, a doutora Ana Fernández Villar, fez um apelo para que não se ignore “o suicídio oculto dos idosos”, que é “uma realidade pouco evidenciada e pouco discutida”, e causada, entre outros fatores, pela solidão indesejada.

“Não se deve esquecer” esse fenômeno entre os idosos, que requer atenção e esforços “para abordá-lo e tratá-lo”, explicou ela por ocasião da comemoração, na quinta-feira, 10 de setembro, do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Ao mesmo tempo, ela apontou o envelhecimento incapacitante como outra de suas possíveis causas.

De maneira geral, Fernández Villar explicou que múltiplos fatores podem levar uma pessoa ao suicídio, os quais “têm origem em um profundo sofrimento e em um desejo, não tanto de morrer, mas de não continuar vivendo assim”. “A desesperança, a solidão indesejada, a dor física ou um transtorno mental grave influenciam essa decisão”, declarou ele, acrescentando que “o perfil da pessoa que chega à consulta com ideias suicidas nos últimos anos é o de alguém relativamente jovem, às vezes sem um transtorno mental, mas com uma crise existencial repentina”.

“A solidão percebida entre os jovens, gerando um maior isolamento, relacionada ao papel das redes sociais e às mudanças estruturais familiares; a impulsividade acentuada em um contexto de intoxicação por uso de substâncias ou a perda de sentido de vida entre muitos jovens e adultos” são algumas das razões que ele apresentou nesse sentido.

De qualquer forma, ele ressaltou que “o suicídio pode ser prevenido”, para o que “o primeiro passo é perguntar se, em algum momento, a pessoa já pensou que, para viver assim, seria melhor não viver”. “Isso deve ser feito com uma atitude de escuta, sem julgamentos nem avaliações”, explicou, após o que afirmou que, em seguida, é oportuno “buscar ajuda de profissionais, sejam psiquiatras ou psicólogos”.

SINAIS DE ALERTA

Quanto aos sinais de alerta a esse respeito, ele destacou conflitos interpessoais, perdas recentes, diagnósticos médicos graves e situações de crise aguda. “Por outro lado, é importante observar se a pessoa começa a resolver assuntos pendentes com pressa, apresenta mudanças bruscas de caráter, automutilação, aumento da impulsividade, maior isolamento...”, alertou.

A especialista, que indicou que “existe uma relação entre o suicídio e os transtornos mentais graves, como a esquizofrenia, o transtorno bipolar, o transtorno depressivo e o transtorno por abuso de substâncias”, informou que, diante do risco de suicídio, a Fundação Hospitalarias trabalha com pessoas com transtornos mentais graves de forma multidisciplinar. “No âmbito da Psiquiatria, ajustando o tratamento farmacológico às necessidades do paciente e, em conjunto com a Psicologia, incluindo a abordagem psicoterapêutica dos problemas individuais e relacionais, levando em conta a família”, destacou ela.

“Na área de serviço social, busca-se apoio social e recursos comunitários, partindo da realidade individual de cada um”, enquanto “os integradores sociais ou terapeutas ocupacionais desempenham um papel fundamental na promoção da participação em atividades práticas, reativando uma funcionalidade deteriorada”, continuou ele.

Por fim, destacou também o acompanhamento e a escuta diária dos auxiliares nas Unidades e o papel da Enfermagem na participação em intervenções em situações de crise, juntamente com o terapeuta, ou como elo de ligação entre o psiquiatra e o paciente. “A equipe de assistência pastoral se conecta com a espiritualidade dos pacientes para dar um sentido vital e transcendente à sua existência”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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