Publicado 23/02/2026 07:26

Especialista indica que o paciente com patologia autoimune sistêmica apresenta “taxas mais elevadas de ansiedade e depressão”.

Especialista indica que o paciente com patologia autoimune sistêmica apresenta “taxas mais elevadas de ansiedade e depressão”.
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MADRID 23 fev. (EUROPA PRESS) - O reumatologista do Complexo Hospitalar de Ourense (CHOU), Dr. Rafael B. Melero, afirmou que os pacientes com doenças reumáticas autoimunes sistêmicas “apresentam taxas mais elevadas de ansiedade e depressão do que a população em geral”, algo que foi comprovado por “diversos estudos”.

Nessas pessoas, “o impacto emocional não é algo anedótico”, destacou Melero, que participou da II Jornada para pacientes com doenças reumáticas autoimunes sistêmicas, realizada no Hospital Meixoeiro de Vigo, em Pontevedra, com a participação de quase 200 cidadãos. Este encontro foi enquadrado no 11º Simpósio SER de doenças autoimunes sistêmicas (EAS), organizado pela Sociedade Espanhola de Reumatologia.

Aprofundando o aspecto mental, este especialista destacou que, “em algumas patologias, como o lúpus, por exemplo, aproximadamente um terço dos pacientes pode apresentar sintomas depressivos em algum momento, e a ansiedade pode ser ainda mais frequente”. “A inflamação e o estado de espírito não são mundos separados: sabe-se que a inflamação sistêmica pode influenciar os circuitos cerebrais relacionados com a motivação e o humor”, acrescentou.

Essas doenças, que são crônicas e frequentemente se manifestam em forma de surtos, causando um profundo impacto na qualidade de vida de forma multidimensional, não afetam apenas as articulações ou órgãos específicos, mas também influenciam o âmbito psicológico, social e laboral, bem como a forma física, e isso pode ocorrer de forma contínua, flutuante ou imprevisível.

“Um diagnóstico precoce, tratamentos adequados e uma abordagem multidisciplinar podem fazer uma grande diferença e permitir uma vida ativa normal”, afirmou, por sua vez, o presidente do Comitê Organizador Local deste evento, o Dr. José María Pego, que destacou, neste contexto, o aparecimento de dor ou fadiga intensa, além de limitações funcionais e, ocasionalmente, de movimento.

Na opinião de Pego, “alguns dos sintomas são persistentes e invisíveis, gerando também um impacto psíquico importante”. A mudança na imagem corporal, induzida por estas doenças ou pelos seus tratamentos, pode levar à perda de confiança, especialmente em idades mais complexas, como a adolescência, salientou, ao mesmo tempo que destacou o impacto laboral, baseado principalmente na redução da produtividade, no absentismo laboral e, em alguns casos, na incapacidade laboral.

“A dor, a impotência funcional e as comorbidades dessas patologias geram ansiedade e depressão, aspectos que afetam negativamente a produtividade, não apenas no trabalho, mas também na escola e na participação social”, insistiu a presidente da Liga Reumatológica Espanhola (LIRE) e da Liga Reumatológica Galega, Dra. Ana Vázquez, que acrescentou que “99% das pessoas que procuram atendimento precisam de tratamento psicológico; 92% precisam de terapia ocupacional; e 65% precisam de atendimento fonoaudiológico para reestruturar os danos emocionais, cognitivos e psicofuncionais”. RECONHECER O IMPACTO MENTAL

Diante dessa conjuntura, a presidente da Associação Galega de Lúpus (AGAL) e membro da Diretoria da Felupus, Nuria Carballeda, afirmou que é “fundamental” reconhecer o impacto mental “para que se possa oferecer ajuda”, já que “é inegável que o aparecimento de uma doença autoimune causa uma mudança drástica na vida do paciente”, pelo que estes são “motivos mais do que suficientes para que a pessoa entre num processo de ansiedade, depressão ou medo...”.

“Estamos lutando por um atendimento psicológico digno, que faça parte do tratamento habitual das pessoas que sofrem de doenças autoimunes”, continuou Carballeda, o que foi compartilhado por Melero, que afirmou que é necessário “reconhecer que a saúde emocional não é algo secundário: é parte do tratamento médico”. “Ao reduzir a inflamação, muitas vezes melhora-se a dor, a energia e a função, repercutindo positivamente no estado de espírito”, explicou.

Além disso, os especialistas salientaram que “é essencial a colaboração de enfermeiros especializados e o uso de ferramentas digitais desenvolvidas” pela SER, “como o inforeuma.com”, pois “é fundamental saber onde procurar informações de qualidade”. “O verdadeiro sucesso não é apenas reduzir a atividade inflamatória, mas fazer com que esse controle se traduza em uma vida mais plena e autônoma”, afirmou Melero.

Por último, este especialista, que garantiu que “o futuro caminha para uma medicina cada vez mais personalizada, com melhores biomarcadores e terapias mais direcionadas, mas também com uma visão mais integral da qualidade de vida”, concluiu afirmando que esta última “é um objetivo clínico em si mesmo”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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