Publicado 22/04/2026 08:33

Especialista incentiva as empresas a criarem programas de alimentação saudável e exercícios físicos para combater a obesidade

Archivo - Arquivo - Homem obeso acordando sentado na cama.
KIKUJIARM/ISTOCK - Arquivo

MADRID 22 abr. (EUROPA PRESS) -

A especialista em medicina interna e gerente médica de e-Health da Cigna Healthcare Espanha, Daniela Silva, destacou a importância de as empresas promoverem ambientes saudáveis e livres de estigma, por meio da criação de programas de atividade física, alimentação equilibrada e conscientização, para ajudar a prevenir e combater a obesidade e o sobrepeso.

Foi o que ela expôs no evento “Obesidade no ambiente de trabalho, o impacto além da saúde física”, organizado nesta quarta-feira pela Obbio, em parceria com a Cigna Healthcare, a Wonest, a Lilly e a secretaria técnica da Clover Creative Health Solutions, e no qual se afirmou que a obesidade deve ser tratada como uma prioridade de saúde pública, sabendo que ela tem consequências para as pessoas que a sofrem e para o ambiente onde trabalham.

Silva destacou a mudança ocorrida nos últimos anos na percepção da obesidade, que passou a ser considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, multifatorial e complexa. Ela também destacou o maior conhecimento existente sobre sua origem, que se sabe ser genética, epigenética e na qual o ambiente obesogênico também tem impacto.

“Acreditar que a obesidade é simplesmente uma consequência de uma equação simples do tipo ‘quanto mais calorias, mais peso ganhamos’ é um erro total”, destacou, acrescentando que saber mais sobre a origem da obesidade facilita seu tratamento e aumenta a eficácia do mesmo.

Nesse contexto, ele ressaltou que a abordagem deve ser “transversal” e contar com a participação de médicos de família, endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e também empregadores, já que as pessoas passam grande parte do tempo no trabalho.

Entre as ações que as empresas podem realizar, Silva destacou incentivos à atividade física durante o dia, pausas ativas e a oferta de alimentos saudáveis e atraentes na lanchonete ou em máquinas de venda automática. Ele também se referiu à necessidade de trabalhar para reduzir o estigma, para que se compreenda que a obesidade não é culpa da pessoa que a sofre.

IMPACTO DA OBESIDADE

Durante o evento, foi destacado que a obesidade afeta 15,2% da população adulta na Espanha, enquanto 39,8% apresentam sobrepeso. Da mesma forma, ficou evidente o impacto que o excesso de peso tem não apenas na saúde física, mas também no bem-estar emocional e em termos de produtividade no trabalho.

De acordo com dados da Aliança contra a Obesidade, 77% dos pacientes têm dificuldade para realizar atividades físicas, 74% apresentam problemas de mobilidade geral, 60% para realizar tarefas domésticas e 59% para atividades de lazer.

Além disso, 96% apresentam algum grau de impacto emocional, dos quais 63% consideram que é “grave”, e 72% sentem preocupação com possíveis complicações clínicas futuras. 29% dos entrevistados receberam atendimento psicológico, o que significa que 71% enfrentam sozinhos o fardo emocional.

No que diz respeito ao ambiente de trabalho, 66% das pessoas com obesidade afirmam ter sofrido algum tipo de discriminação em entrevistas de emprego, 66% já passaram por alguma experiência de isolamento, 31% sentem estigma e discriminação ativa no trabalho e 30%, falta de reconhecimento profissional.

A sócia-diretora da Wonest, Mayte Martínez, afirmou que as empresas estão cientes apenas “em parte” do impacto da obesidade em seus funcionários, pois considera que elas avaliam as consequências, mas não as causas. Assim, ela indicou que as empresas medem o absenteísmo e as licenças médicas, mas precisam aprofundar-se nas causas.

Quanto às barreiras que levam as empresas a não agir diante dessa situação, Martínez destacou o estigma criado desde a infância em relação à obesidade e a associação entre corpos normativos e sucesso, que se transfere posteriormente para as organizações. Paralelamente, ela apontou para os preconceitos inconscientes.

Por sua vez, a secretária-geral da Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN), Ana Segura, destacou os benefícios que as pessoas com obesidade podem observar com uma pequena redução de peso, como melhorias na hipertensão, apneia do sono e outras comorbidades, que em alguns casos podem até desaparecer completamente com grandes reduções.

A médica de família destacou o papel da especialidade no tratamento da obesidade. Como se sabe que, à medida que o índice de massa corporal (IMC) aumenta, as comorbidades também aumentam, ela ressaltou que a chave está em agir antes que isso aconteça, por meio da prevenção e do diagnóstico precoce.

"NÃO AGIR É MAIS CARO DO QUE AGIR"

A diretora de Data&Technology da Fundação Weber, Elena García, apresentou os principais resultados do relatório “Valor social de um melhor controle da obesidade na Espanha”, que conta com o apoio da Lilly, da Associação Nacional de Pessoas que Vivem com Obesidade (ANPO), da Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Nutrição (SEEN), da Sociedade Espanhola de Obesidade (SEEDO), SEMERGEN e Fundação Weber.

O relatório, desenvolvido a partir de um modelo econômico com três horizontes temporais até 2030 (2025, 2028 e 2030), calcula os gastos com 18 das complicações clínicas mais comuns associadas ao excesso de peso e as mudanças que ocorreriam em função de diferentes perdas percentuais de peso.

Segundo as estimativas, as complicações decorrentes da obesidade poderão representar, em 2025, um gasto de 130,78 bilhões de euros, que em 2030 poderá aumentar para 161,477 bilhões se não forem tomadas medidas.

A análise projeta o benefício que a perda de peso traria, que se traduz em uma economia (valor social) de 20 bilhões em 2025, com reduções moderadas (de 5 a 10%), ou de 68 bilhões com as perdas de peso mais elevadas estudadas (de 20 a 25%). Se extrapolássemos a prevalência atual da obesidade para as projeções populacionais previstas para o ano de 2030, essa economia ficaria entre 25 bilhões (perdas de peso de 5 a 10%) e 84 bilhões de euros (de 20 a 25%).

“Não agir é mais caro do que agir”, destacou Elena García, que observou que a obesidade deve ser tratada como uma prioridade de saúde pública de caráter estrutural, cuja abordagem requer estratégias coordenadas entre os setores de saúde, educação, comunitário e econômico.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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