MADRID 18 jun. (EUROPA PRESS) -
O especialista em desregulação endócrina Nicolás Olea pediu que se redobrem os esforços para evitar que o câncer chegue a se manifestar quando sua origem estiver relacionada a uma exposição química evitável, após décadas em que grande parte das ações se concentrou na detecção precoce da doença.
“Em vez de concentrarmos todos os nossos esforços em obter diagnósticos oncológicos cada vez mais precoces, deveríamos redobrá-los para evitar que a doença chegue a se desenvolver quando a causa é uma exposição evitável”, afirmou ele em uma sessão sobre o impacto na saúde de determinadas exposições ambientais, no âmbito do 32º Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Médicos Gerais e de Família (SEMG).
Durante uma mesa redonda, diversos especialistas abordaram como a exposição acumulada a microplásticos, desreguladores endócrinos, alimentação, contaminação química ou materiais em contato com alimentos e bebidas pode influenciar a saúde a longo prazo.
Essa exposição é motivo de especial preocupação no caso de mulheres grávidas, dada a possibilidade de transmissão materno-infantil, e em crianças. “A exposição infantil relacionada à alimentação e, muito especialmente, à merenda escolar é uma questão que deve ser conhecida e levada em consideração pelos profissionais de saúde”, explicou Olea.
A sessão contou também com a participação do responsável pela iniciativa “Hogar sin Tóxicos” (Lar sem Tóxicos), Carlos de Prada, que defendeu a importância de levar o conhecimento científico à população para facilitar decisões informadas sobre aspectos cotidianos relacionados à alimentação, ao lar ou aos materiais de uso frequente.
Os especialistas concordaram quanto ao papel fundamental da consulta médica na hora de informar sobre exposições evitáveis. Nesse sentido, durante o evento, foi relembrado o comunicado emitido pela Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Nutrição (SEEN) por ocasião do Dia Mundial dos Hormônios, no qual se afirma que “para reduzir a exposição a desreguladores endócrinos, é crucial evitar embalagens de plástico e substituí-las por vidro ou aço inoxidável”.
A sessão foi realizada como parte de uma iniciativa promovida pela Associação Nacional de Fabricantes de Embalagens de Vidro (ANFEVI) para fomentar a troca de conhecimento sobre saúde ambiental, exposição química e materiais em contato com alimentos e bebidas.
A secretária-geral dessa entidade, Karen Davies, enfatizou que “a prevenção não depende apenas de decisões clínicas”, mas que “também está relacionada às exposições cotidianas” acumuladas ao longo da vida. “É por isso que é tão importante que os profissionais de saúde incorporem a saúde ambiental ao debate sobre prevenção. E, nesse contexto, o vidro oferece uma alternativa inerte e reciclável que aparece cada vez com mais frequência no discurso científico”, destacou ela.
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