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MADRID 14 jul. (EUROPA PRESS) -
A hematologista e responsável pela Unidade de Ensaios Clínicos do Hospital Clínico de Salamanca, a Dra. María Victoria Mateos, destacou que o prognóstico do mieloma múltiplo “mudou radicalmente”, sendo agora “uma doença potencialmente curável”.
“No mínimo, podemos oferecer um horizonte clínico muito realista”, baseado em “uma sobrevida que, na primeira linha de tratamento, poderia ser comparável à expectativa de vida do paciente, levando em conta a idade em que a doença foi diagnosticada”, afirmou ela durante a realização, em Madri, da nona edição do encontro “CaMMbio”, organizado pela empresa farmacêutica Johnson & Johnson.
Assim, durante esse encontro, no qual os especialistas destacaram que o tratamento do mieloma múltiplo está avançando em direção a modelos de atendimento fora do ambiente hospitalar, Mateos, que atuou como coordenadora científica do evento, ressaltou que o que se pode transmitir hoje a um paciente recém-diagnosticado “não tem nada a ver” com o que se poderia dizer a ele “há apenas uma década”.
“Antes, definíamos o mieloma múltiplo como um câncer do sangue incurável, em que os tratamentos se sucediam até que a doença se tornasse refratária às três classes de medicamentos com as quais contávamos”, que eram “inibidores do proteassoma, imunomoduladores e anticorpos monoclonais anti-CD38”, continuou ela, embora tenha reconhecido que o diagnóstico “continua sendo uma grande incógnita para a maioria das pessoas”.
INCORPORAÇÃO PRECOCE DE TERAPIAS INOVADORAS
Em sua opinião, essa melhora nas taxas de sobrevivência se deve “à incorporação precoce de terapias inovadoras”. “A grande revolução atual é que essas três famílias (inibidores do proteassoma, imunomoduladores e anticorpos monoclonais anti-CD38) já fazem parte da primeira linha de tratamento, permitindo-nos elaborar um tratamento altamente adaptado ao estado geral do paciente e às suas atividades diárias”, explicou.
“Ainda não temos dados do registro que o Grupo Espanhol de Mieloma (GEM) está realizando em colaboração com o Grupo Espanhol de Transplante e Terapia Celular, mas é possível que observemos um controle rápido da doença e taxas de doença residual mínima negativa muito elevadas e rápidas, o que teria impacto no controle da doença e na sobrevida”, afirmou ele, por sua vez, ao se referir ao balanço do primeiro ano de experiência clínica com a disponibilidade, na Espanha, de uma terapia CAR-T para a primeira recidiva da doença.
Conforme declarou a esse respeito, “espera-se observar uma melhor qualidade de vida dos pacientes pelo fato de ser um tratamento de administração única, sem manutenção e sem tratamento contínuo, o que faz com que os pacientes fiquem praticamente livres da doença e livres do tratamento poucos meses após terem recebido a terapia CAR-T”.
Além disso, neste evento foram analisadas as novidades nas combinações e na monoterapia com anticorpos bispecíficos, que ampliam o leque de opções de tratamento a partir da segunda linha e que, conforme indicam ensaios clínicos como o ‘MajesTEC-3’, 'MajesTEC-9' e 'MonumenTAL-3', estão aumentando a sobrevida livre de progressão e a sobrevida global já a partir da primeira recidiva.
“Essas novas indicações de anticorpos bispecíficos direcionados contra BCMA e GPRC5D nos permitirão selecionar a alternativa ideal para cada indivíduo, com base não apenas na biologia de seu tumor, mas também no ambiente e no contexto em que ele vive”, continuou Mateos, acrescentando que “a aplicação de todas essas ferramentas imunológicas nas fases mais precoces do curso da doença abre um cenário clínico otimista”. “É possível que muitos pacientes com mieloma múltiplo precisem receber apenas uma ou duas linhas de tratamento ao longo de toda a vida, o que está diretamente associado a um aumento histórico da sobrevida global e do bem-estar diário”, comemorou.
NOVOS FATORES RELACIONADOS À PATOLOGIA
Os novos fatores relacionados à patologia e ao estado do paciente também foram estudados, aspecto sobre o qual ele destacou que é necessário “fazer uma boa caracterização da doença no que diz respeito às alterações citogenéticas, com base nos novos critérios publicados pelo Grupo Internacional de Mieloma e pela Sociedade Internacional de Mieloma (IMS, na sigla em inglês) e utilizando técnicas de imagem sensíveis, como a PET-TC ou a ressonância funcional, para garantir que o paciente tenha ou não doença extramedular”.
“Além disso, também precisamos levar em conta características específicas do paciente além da idade cronológica — que provavelmente é o fator menos importante —, como a idade biológica, as comorbidades, a polifarmácia, o estado nutricional, o nível de atividade física e social do paciente, onde ele mora e com quem”, continuou ele, ressaltando que tudo isso “obviamente terá uma influência clara nas opções de tratamento”.
Além disso, neste encontro da Johnson & Johnson foram abordados os modelos de atendimento extra-hospitalar e a autoadministração pelo paciente ou cuidador nos tratamentos que permitem isso. “A tendência inequívoca é tirar o paciente do hospital”, afirmou essa especialista, que declarou que já existem “tratamentos por via oral e opções de administração subcutânea que podem ser administrados em casa por profissionais de saúde ou até mesmo pelos próprios pacientes ou seus cuidadores”.
No entanto, “será difícil harmonizar essas práticas de maneira generalizada, pois a infraestrutura e a logística variam significativamente entre centros, cidades e países”, esclareceu ela, ao mesmo tempo em que afirmou que “o ideal” é que se alcancem “os mesmos resultados de eficácia, mantendo sempre um acesso rápido ao hospital em caso de emergência”.
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