MADRID 15 abr. (EUROPA PRESS) -
A chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Virgen Macarena (Sevilha), a Dra. Mª Asunción Martínez Brocca, destacou o papel dos análogos do GLP-1 como uma mudança de paradigma no tratamento da obesidade e do diabetes, no entanto, embora “sejam medicamentos espetaculares e com boa tolerância”, ela ressaltou a importância da prescrição médica, “porque têm suas indicações” e não são uma “solução rápida”.
“Na diabetes, obtêm-se bons resultados por meio de uma série de pequenas coisas e pequenas mudanças que fazemos, inclusive farmacológicas. E com um bom acompanhamento e uma boa prescrição, a melhora é muito significativa”, indicou a especialista, que participou da apresentação do XXXVII Congresso Nacional da Fundação da Sociedade Espanhola de Diabetes.
A especialista esclareceu que se trata de medicamentos “muito novos” e que “ainda estamos aprendendo na fase de tratamento de longo prazo, especialmente em pacientes com obesidade”. Além disso, ela destacou que “como qualquer terapia para uma doença crônica, o gerenciamento das expectativas é muito importante”. Por isso, considera essencial “complementar o tratamento com outras medidas”, como o fortalecimento da massa muscular ou uma boa nutrição.
Além disso, ela ressaltou a importância do “aumento gradual da dose”, apostando assim em “não retroceder se o paciente estiver tolerando, seguir avançando, não interromper”. “Isso requer acompanhamento e orientação profissional; não se pode simplesmente comprar o medicamento e começar a tomar. Não se trata apenas de aplicar uma injeção, é muito mais do que isso”, acrescentou.
A esse respeito, o presidente da Fundação da Sociedade Espanhola de Diabetes (FSED), o Dr. Antonio Pérez Pérez, foi enfático quanto à importância de prescrever esses medicamentos a pacientes com diabetes tipo 2. “Qualquer profissional médico que atenda um paciente com diabetes tipo 2 pode prescrevê-los e deve prescrevê-los”; o problema não é o medicamento, mas sim se a prescrição é “boa ou ruim”.
“Fazer uma boa prescrição é um elemento-chave para aumentar os benefícios, reduzir os riscos e, no caso desses medicamentos, garantir a persistência do tratamento. Infelizmente, na Europa, mais de 50% dos pacientes a quem é prescrito um agonista do receptor GLP-1 por ano já não o estão recebendo. E se olharmos para os Estados Unidos, estamos falando de 60 a 70%, o que constitui um problema”, acrescentou.
A esse respeito, o presidente da Sociedade Espanhola de Diabetes (SED), o Dr. Francisco Javier Ampudia Blasco, que também destacou sua utilidade, considera que seu uso e prescrição “são um tema complexo”; o importante é que, nos próximos anos, aumente a prescrição desses medicamentos para os pacientes que precisam deles.
BOAS NOTÍCIAS NA DT1 E NOVOS DESAFIOS NA DT2
Sem dúvida, os eixos centrais deste encontro científico são a diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2, com realidades e perspectivas diferentes atualmente.
No caso da DT1, prevalece o otimismo. “Estamos vivendo uma mudança de paradigma. Hoje já não falamos apenas de tratar a diabetes tipo 1 quando surge a hiperglicemia, mas de intervir em fases anteriores”, destaca o presidente da SED, que considera que “realmente, hoje em dia, acredito que não haja discussão quanto à eficácia das diferentes modalidades terapêuticas no tratamento da diabetes tipo 1”.
O desenvolvimento de estratégias de triagem nos estágios 1 e 2, bem como a aprovação de medicamentos (que permitem retardar, embora não curar, o aparecimento da doença clínica), são avanços muito relevantes. “Embora ainda não falemos em cura, estamos começando a modificar a história natural da doença. E isso, há apenas alguns anos, parecia inatingível”, explicou.
O CONGRESSO REÚNE MAIS DE 1.200 PROFISSIONAIS
“O Congresso Nacional da FSED é, sem dúvida, o principal encontro científico na Espanha sobre diabetes e doenças relacionadas. É o grande ponto de encontro para compartilhar conhecimento, debater avanços e reforçar a colaboração entre profissionais”, afirma o presidente da SED, destacando “o alto nível científico deste encontro, bem como sua utilidade para a prática clínica e seu impacto real no atendimento às pessoas com diabetes”.
O programa científico reflete muito bem a essência da SED: “uma sociedade diversificada e multidisciplinar”, sublinha Ampudia Blasco, que é chefe de Seção do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Clínico Universitário de Valência e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Valência. Ele está estruturado em três grandes eixos, que permitem atender a todos os perfis profissionais: científico-clínico, clínico-formativo e transversal-educativo.
Conforme acrescenta o presidente da FSED, “este fórum nos permite reunir anualmente profissionais de diferentes especialidades e disciplinas das ciências da saúde relacionadas à diabetes e debater sobre os principais desafios e avanços neste âmbito”, destaca o diretor da Unidade de Diabetes do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau (Barcelona),
Nesse sentido, ele destaca que a participação ativa de todos os agentes envolvidos (pacientes, profissionais de saúde e sociedade) “é fundamental para otimizar o tratamento e avançar na melhoria da qualidade de vida das pessoas com diabetes, em linha com a abordagem integradora que define este encontro científico”, afirma Pérez Pérez, que valoriza o alto nível científico do evento, que reunirá mais de 1.200 pessoas.
Da mesma opinião é a Dra. Mª Asunción Martínez Brocca, presidente do Comitê Organizador e chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Virgen Macarena (Sevilha), que reconhece que “este Congresso reflete muito bem a visão multidisciplinar e o indispensável trabalho em equipe que deve ser organizado em torno da diabetes”.
Por isso, será feita uma atualização em todos os aspectos da diabetes que, embora pareçam distantes, são complementares: avançar no conhecimento e na fisiopatologia por meio da pesquisa experimental e translacional, o surgimento das tecnologias aplicadas à diabetes, a melhor abordagem terapêutica na prevenção de complicações, a mudança de paradigma que representa o diabetes tipo 1 pré-sintomático, o apoio psicoemocional e a educação terapêutica ou a abordagem em cenários clínicos complexos
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