Publicado 16/04/2026 10:11

Especialista destaca que identificar “precoce” os pacientes “com risco de cronicização” é o “desafio” no tratamento das cefaleias

Archivo - Arquivo - Dor de cabeça.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS) -

O coordenador do Grupo de Estudo de Cefaleias da Sociedade Espanhola de Neurologia (GECSEN), o Dr. Roberto Belvís, afirmou que “um dos principais desafios no tratamento das cefaleias é identificar precocemente os pacientes com risco de cronicização”.

“Aproximadamente, entre 2% e 3% dos pacientes com enxaqueca episódica evoluem a cada ano para formas crônicas” e “mais de 50% das cefaleias crônicas correspondem à enxaqueca”, indicou, acrescentando que “é importante, portanto, enfatizar que fatores como o estresse, os distúrbios do sono, a obesidade ou a depressão, o consumo excessivo de analgésicos, bem como a falta de diagnóstico e tratamento adequados, podem influenciar de forma determinante nessa cronicização”.

Por ocasião da comemoração, neste domingo, 19 de abril, do Dia Nacional desta doença, a Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN) destacou que mais de 70% da população espanhola já sofreu de cefaleia alguma vez na vida e cerca de 4% sofre de dor de cabeça de forma crônica, ou seja, apresenta dor de cabeça mais de 15 dias por mês.

“Sob o termo ‘cefaleia’ agrupa-se um amplo conjunto de distúrbios — com mais de 200 tipos descritos — caracterizados por causar dor de cabeça e que se classificam fundamentalmente em cefaleias primárias e cefaleias secundárias”, continuou Belvís, que acrescentou que as primárias, “que constituem mais de 90% dos casos”, são “aquelas em que a dor de cabeça não é consequência de outra patologia subjacente”.

ENXAQUECA E CEFALÉIA TENSIONAL, AS CEFALÉIAS PRIMÁRIAS MAIS FREQUENTES

Nesta seção, a enxaqueca e a cefaleia tensional são as mais frequentes, podendo esta última afetar mais de 60% da população do país, enquanto a primeira afeta 13%. Outras cefaleias, como a cefaleia em salvas, embora menos frequentes, já que afetam aproximadamente 0,1% da população, também acarretam uma elevada incapacidade.

Esta organização também indicou que, apesar da elevada prevalência, o subdiagnóstico continua sendo um problema relevante. Assim, estima-se que mais de 40% das pessoas que sofrem de dores de cabeça recorrentes não tenham sido diagnosticadas corretamente, além do fato de que cerca de 50% recorrem à automedicação com analgésicos sem supervisão médica, o que pode favorecer a cronicidade mencionada e até mesmo causar cefaleia por abuso de medicamentos, que já afeta entre 1% e 2% da população.

Diante desse panorama, tem-se insistido na importância de não trivializar qualquer dor de cabeça recorrente, embora na maioria dos casos se trate de processos benignos. No entanto, sua frequência, intensidade ou impacto na vida cotidiana devem ser critérios-chave para consultar um profissional de saúde, já que uma abordagem individualizada, que combine medidas farmacológicas e não farmacológicas, permite, em muitos casos, um controle adequado da doença e a prevenção de sua cronicidade.

A SEN lembrou que o impacto das cefaleias vai além da dor física. Por exemplo, a enxaqueca, que é uma das principais causas de incapacidade no mundo e, na Espanha, a principal entre mulheres com menos de 50 anos, afeta mais de cinco milhões de espanhóis e constitui uma das principais causas de perda de produtividade no trabalho.

Nesse sentido, informou que, durante as crises, mais de 50% são obrigados a reduzir sua atividade e entre 20% e 30% precisam de repouso na cama. Além disso, mais da metade dos pacientes com enxaqueca apresenta um grau de incapacidade moderado ou grave e, em termos econômicos, estima-se que o custo associado a ela ultrapasse 2 bilhões de euros por ano na Espanha, devido tanto ao absenteísmo quanto ao presenteísmo no trabalho.

CEFALÉIA EM SALVOS

Aprofundando a cefaleia em salvas, esta tem sido descrita em numerosas ocasiões como uma das dores mais intensas que o ser humano pode experimentar e, aproximadamente, 20% desenvolvem formas crônicas da patologia. Além disso, mais de 75% apresentam limitações significativas em sua vida cotidiana e até 45% associam depressão.

É necessário “avançar na conscientização social, no diagnóstico precoce e no acesso a tratamentos adequados, com o objetivo de reduzir o fardo pessoal, social e econômico associado a esses distúrbios neurológicos”, declarou Belvis, ao mesmo tempo em que destacou que “qualquer tipo de cefaleia primária, e mais ainda em sua forma crônica, pode causar muito sofrimento nas pessoas que a padecem”.

“Cada vez temos mais conhecimento científico e novos recursos para ajudar as pessoas que sofrem dessas doenças, que podem ser tão incapacitantes e afetam tantas pessoas”, por isso “é extremamente importante conscientizar sobre a importância do seu diagnóstico, melhorar sua identificação em todos os níveis de atendimento e garantir que todos os pacientes possam se beneficiar dos tratamentos disponíveis”, afirmou.

A esse respeito, destacou que “existem diferenças significativas entre as comunidades autônomas” e “até mesmo entre hospitais” no que diz respeito ao “acesso aos tratamentos mais indicados”. Nessa linha, a SEN reunirá em Segóvia, de 17 a 18 de abril, diferentes especialistas no evento 'MasterCef', no qual serão atualizados os conhecimentos sobre o diagnóstico e o tratamento das cefaleias.

Por ocasião deste encontro científico, esta sociedade científica apresentará seu “Guia de Estilo da Enxaqueca”, documento que oferece uma base científica clara sobre a doença e aborda aspectos práticos sobre o uso da linguagem, o tom e a abordagem comunicativa que ela requer.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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