MADRID 13 mar. (EUROPA PRESS) -
O coordenador regional do Programa de Prevenção do Suicídio na Andaluzia, Miguel Guerrero, denunciou que, apesar de o Plano Nacional de Ação para a Prevenção do Suicídio ter uma “perspectiva de gênero” e de “entre 75% e 80%” dos falecidos serem homens, atualmente “evitam-se políticas públicas voltadas para o homem”.
Essa situação “tem se repetido em muitas comunidades autônomas”, afirmou ele durante a realização, em Madri, do V Encontro Nacional da Associação de Profissionais em Prevenção e Pós-prevenção do Suicídio ‘Papageno’, desenvolvido sob o lema ‘Cuidar do vínculo, sustentar a vida. Uma jornada da prevenção à pós-prevenção'. Na opinião de Guerrero, as taxas de suicídio entre os homens, “na Espanha, não importam”. “Não conseguiremos reduzir as taxas de suicídio enquanto não houver políticas com perspectiva de gênero”, afirmou, ao mesmo tempo em que insistiu que “a mortalidade por suicídio está ligada ao homem”.
“A taxa mundial é mais do que o dobro da feminina”, continuou, especificando a masculina em “12,6 por 100.000 habitantes”, pelo que “é um problema estrutural”. Além disso, declarou que “onde aumentam as desigualdades, a disparidade é maior”, pelo que “a cultura influencia”. Guerrero também explicou que “em cada uma das faixas etárias morrem mais homens do que mulheres”, encontrando-se a exceção nos menores de 15 anos, nos quais não se observam diferenças por sexo. De qualquer forma, ele ressaltou que “não há nenhuma variável que apresente maior disparidade do que a de gênero”. “Falar sobre homens e suicídio causa desconforto”, considera este psicólogo clínico, que indicou, a esse respeito, que foram realizadas “poucas palestras e conferências sobre o suicídio entre homens”. “Há uma vontade ativa de tentar não polêmica”, bem como “resistência devido ao risco de ideologizar o tema”, destacou. MANDATOS DE GÊNERO LIGADOS À MASCULINIDADE Nesse ponto, ele destacou os “mandatos de gênero ligados à masculinidade”, que impedem que o homem possa demonstrar fraqueza e vulnerabilidade. “Ser homem no Ocidente é uma tortura, é exaustivo”, por isso “é preciso investigar” “como isso impacta o comportamento suicida”, afirmou, já que “o homem que adere aos estereótipos de masculinidade tem 2,4 vezes mais risco de suicídio”.
“Os homens apresentam comportamentos externos diferentes” do clássico pedido de ajuda, “como irritabilidade e consumo de álcool”, por isso têm “mais probabilidade de ocultar um plano de suicídio”, bem como “mais determinação na primeira tentativa”. “Há subdiagnóstico de depressão no homem”, explicou.
Aprofundando o assunto, Guerrero destacou que eles “têm um período mais curto de risco suicida”, bem como “menos contato com os serviços de saúde mental”. De fato, quando pedem ajuda, existe “uma taxa maior de abandono”, declarou. Por tudo isso, o também sócio da ‘Papageno’ resumiu que “abraçar o feminismo é uma proteção contra o suicídio”. “Temos menos inteligência emocional aprendida, o que afeta a regulação adaptativa”, destacou.
Também participou deste evento a gerente de assistência hospitalar do Governo da Comunidade de Madrid, Mercedes Navío, que indicou que a aspiração é “prevenir” o suicídio e “cuidar das pessoas” para que “ninguém sofra sozinho”.
“Hoje, quase todas as comunidades autônomas contam com planos de prevenção”, prosseguiu ela, após destacar a “visibilidade” do suicídio adquirida “nos últimos anos”. Tudo isso no contexto de que, em 2024, um total de 3.953 pessoas morreram por suicídio na Espanha, o que representa uma taxa de 8,1 por cada 100.000 habitantes.
IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO PÓS-SUICÍDIO A esse respeito, o presidente da “Papageno”, Daniel Jesús López, destacou a importância do acompanhamento pós-suicídio, “o trabalho de luto”, já que um suicídio na família ou em uma pessoa próxima “é um fator de risco” para um segundo. Além disso, ele se referiu ao suicídio na adolescência, momento em que destacou a importância de “propor exames de triagem”. “Os idosos continuam na sombra”, assinalou, por sua vez, a professora titular da Universidade de Valência, Alicia Sales, que apontou “a percepção de fardo” como um dos fatores de risco de suicídio entre idosos. Nesse grupo da população, “de cada duas a quatro tentativas, ocorre um suicídio”, informou ela. Segundo essa acadêmica, “continua a existir a percepção social de que estar triste e sentir-se sozinho é algo inerente ao envelhecimento”. Além disso, ela falou sobre o “suicídio passivo”, pelo qual os idosos, “de forma passiva, se deixam levar”.
Por fim, Sandra Pérez-Rodríguez, também professora titular da Universidade de Valência, referiu-se à universidade como um espaço preventivo. Assim, destacou o guia deste centro para a atuação diante de comportamentos suicidas entre os estudantes e as oficinas de prevenção sobre o tema.
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