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MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) - A secretária do Conselho Geral dos Colégios Oficiais de Dietistas e Nutricionistas (CGCODN), Lydia Serrano, destacou que é necessário tributar os produtos com “açúcar adicionado”, gorduras “de má qualidade” e “sal”, bem como subsidiar “os produtos frescos”.
“Há evidências de que essa combinação de impostos sobre alimentos não saudáveis e subsídios para alimentos frescos de consumo local, em conjunto, são mais eficazes do que se aplicarmos apenas um dos dois”, afirmou Serrano, que participou nesta segunda-feira da conferência “Comer saudável não é um tema menor. Regulamentando a publicidade de alimentos não saudáveis”, realizada em Madri.
Durante este encontro, realizado no Congresso dos Deputados, esta representante do CGCODN explicou, em relação a estas “medidas fiscais e comerciais”, que “é preciso ser corajoso para aplicá-las e, acima de tudo, avaliá-las e gerar sanções concretas também”. Questionada a este respeito, a subdiretora-geral de Promoção da Saúde e Prevenção do Ministério da Saúde, Estefanía García, destacou as políticas públicas lideradas nesta matéria pelo Ministério da Saúde do Governo, como o “Plano Estratégico Nacional para a Redução da Obesidade Infantil”, no qual “participam 18 ministérios” e que conta com “um Conselho Consultivo com diversas associações de todos os tipos”.
Com a obesidade infantil, “temos um grande problema”, pois “é uma pandemia”, indicou, a esse respeito, a membro da Diretoria da Associação Espanhola de Pediatras de Atenção Primária (AEPap), a doutora Susana Viver, que reconheceu que houve uma melhora “discreta” nos últimos anos nesse “problema de saúde extremamente importante”. “Estamos estagnados”, alertou, após expor algumas das situações observadas em consultório. Nesse sentido, Viver afirmou que “antes não se via” fígado gorduroso em menores, algo que agora “é muito frequente” devido ao consumo de “açúcares de rápida absorção”. Da mesma forma, explicou que “antes não existia diabetes tipo 2 em crianças” e que, “em termos de risco cardiovascular, a idade está diminuindo”, embora ainda não seja visível em crianças. OS ALIMENTOS ULTRAPREPARADOS REFLETEM NA OBESIDADE
Da mesma opinião que esta médica, que mostrou outros problemas de saúde na população infantil e juvenil, como inflamação sistêmica e comprometimento psicológico, está a representante do Grupo de Nutrição e Obesidade da Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC), a Dra. Patricia Estevan, que centrou sua exposição nos ultraprocessados, os quais, em menores, repercutem na obesidade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), alteração dos circuitos de autorregulação, colesterol, problemas para dormir, estresse, síndrome metabólica e ansiedade.
Estes “não são alimentos, são produtos industriais derivados de alimentos” e têm “muitas calorias por grama e muito pouco valor nutricional”, continuou Estevan, que afirmou que são “muito saborosos” e “concebidos para comer em excesso”. Com eles, “libera-se carboidratos muito rapidamente”, o que dá “um pico de açúcar” e “desloca os produtos frescos do carrinho de compras”. Na opinião desta profissional de saúde, os comerciantes de ultraprocessados realizam “um gasto muito importante em publicidade e marketing”, o que “é o centro do problema”. Diante disso, e aludindo ao tema central desta citação, ela defende “eliminar a publicidade de todos os meios”, pois “não é preciso regular, é preciso restringir”, porque “as condições de vida” deixam “pouca margem de escolha”.
Na mesma linha, a membro da Federação das Associações de Enfermagem Familiar e Comunitária (FAECAP), Silvia Domínguez, destacou o “grande impacto da publicidade”, pelo que esta “tem de ser regulamentada e até proibida”. Tudo porque “a obesidade infantil continua a ser um problema estrutural e desigual, com consequências diretas para a saúde”.
PAPEL DA ENFERMAGEM
“A Enfermagem Familiar e Comunitária e a Escolar desempenham um papel essencial como agentes de saúde”, reivindicou Domínguez, que acrescentou que abordam “determinantes sociais e ambientais”. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda agir em ambientes alimentares”, lembrou, acrescentando que “o código postal afeta mais do que o código genético”.
“Encontramos problemas na hora de desenvolver hábitos saudáveis”, retomou Serrano, que, no entanto, considera que “isso é percebido” e há “consciência social do perigo”. Neste ponto, e após exigir melhor acesso da população ao nutricionista, ele incentivou o trabalho na “cultura alimentar” com “padrões alimentares saudáveis”.
Além disso, nestas jornadas foi abordada a repercussão de uma alimentação incorreta nos adultos, já que Estevan confirmou que “está relacionada com depressão, distúrbios da mobilidade intestinal, hipertensão, diabetes, síndrome metabólica e câncer”. Há “um aumento da mortalidade por todas as causas”, explicou, ao mesmo tempo que incentivou a “comer menos” e “movimentar-se mais”.
“Queremos chegar à velhice no melhor estado possível”, continuou esta membro da semFYC, diante do que Serrano rejeitou “o ritmo acelerado das sociedades”, que não permite “praticar o hábito de cozinhar”, algo que “afeta bastante a saúde”. “Cozinhar e dedicar esse tempo” ajudaria na “educação do paladar”, já que “alimentos com intensificadores de sabor estão alterando aspectos fisiologicamente naturais do que é o paladar”, concluiu esta última.
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