MONKEYBUSINESSIMAGES/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 20 maio (EUROPA PRESS) -
O juiz do Tribunal do Trabalho nº 6 de Bilbao, Jaime Segalés, destacou que a avaliação dos riscos psicossociais dos profissionais de saúde deve se traduzir em medidas preventivas concretas, planejadas e verificáveis.
Ele fez essa observação em um “webinar” organizado pela Associação Espanhola de Direito da Saúde (AEDS), no qual foi analisado por que a gestão desses riscos continua sendo uma questão pendente nos centros de saúde 30 anos após a entrada em vigor da Lei de Prevenção de Riscos Laborais.
O advogado e secretário-geral da AEDS, Alfonso Atela, destacou a reforma que está sendo realizada nessa normativa, na qual afirmou que “se introduz muito mais carga legal na parte dos riscos psicossociais”, o que considera um sinal inequívoco do peso que essa categoria de riscos está adquirindo na agenda regulatória.
Atela insistiu, na mesma linha de Jaime Segalés, que o principal déficit que as organizações de saúde arrastam é não concluir o planejamento após a avaliação. Em sua opinião, não se trata de um problema de ausência de diagnóstico, mas de falta sistemática de implementação das medidas corretivas que esse diagnóstico exige.
TRANSTORNOS DO SONO, PROBLEMAS DE CONCILIAÇÃO, QUADROS DEPRESSIVOS
A responsável pelo Serviço de Psiquiatria da ASISA, Sara Mayero, detalhou que os profissionais de saúde acumulam atrasos nas consultas minuto a minuto, absorvem a frustração de pacientes que esperam há horas e assumem uma carga burocrática crescente que se sobrepõe à atividade clínica. Além disso, ela alertou que, ao contrário de outras áreas, este setor “lida com vidas humanas”, o que acrescenta uma responsabilidade emocional dificilmente comparável.
Tudo isso, segundo ela, faz com que os profissionais de saúde possam sofrer distúrbios do sono e problemas de conciliação, quadros depressivos e até mesmo o questionamento de sua própria aptidão para exercer a medicina, além de distúrbios de ansiedade antecipatória diante do dia de trabalho. Diante dessa situação, ela destacou que é necessário dar uma resposta organizacional estruturada.
Além disso, a especialista colocou o foco nas agressões, que, segundo ela, são frequentemente normalizadas e subnotificadas pelos próprios profissionais. Juntamente com isso, ela afirmou que persiste o estigma em torno da saúde mental. Por tudo isso, ela enfatizou a importância de não esperar e mobilizar os recursos preventivos necessários antes que o dano esteja consumado.
No encerramento, o presidente do escritório De Lorenzo Abogados, Ricardo de Lorenzo y Montero, destacou que os riscos psicossociais entre os profissionais de saúde não constituem uma questão secundária, nem uma moda preventiva, nem um problema individual que cada profissional deva lidar sozinho, mas sim que “são uma realidade organizacional, assistencial, clínica e jurídica que exige passar da declaração à prática e avaliar corretamente, adotar medidas eficazes, prevenir o dano, documentar as ações e construir ambientes de saúde mais seguros”.
Para concluir, ele destacou que “cuidar de quem cuida não é apenas uma exigência ética”, mas “também uma exigência preventiva, organizacional e jurídica”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático