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MADRID 8 abr. (EUROPA PRESS) -
O psiquiatra pesquisador do Instituto de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón, em Madri, e presidente da Fundação Patologia Dupla, Dr. Néstor Szerman, destacou que o transtorno por uso de cannabis está por trás de um em cada três primeiros episódios psicóticos.
“35% das pessoas que sofreram um primeiro episódio psicótico no Ocidente apresentavam um transtorno por uso de cannabis (TUC) que havia precedido a psicose”, especificou ele, em relação a essa síndrome, que se estima afetar cerca de 1% da população. Este é caracterizado por uma grave alteração do julgamento da realidade, na qual a pessoa perde a capacidade de distinguir entre o real e o irreal.
De acordo com a Sociedade Espanhola de Patologia Dupla (SEPD), a psicose pode ser episódica, aguda ou crônica e pode surgir em múltiplas condições e diagnósticos mentais, como esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão maior com sintomas psicóticos, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos graves de personalidade e transtorno por uso de substâncias.
De fato, existem substâncias que, devido aos seus efeitos no cérebro, são mais propensas a causar psicose, como os estimulantes, entre os quais se encontram a cocaína, as metanfetaminas e, especialmente, a cannabis, sobretudo o THC. No entanto, e apesar de ser sempre um fator de risco, nem todas as pessoas que sofrem de TUC terão um episódio psicótico, pois deve haver uma vulnerabilidade prévia, tanto genética quanto ambiental.
De qualquer forma, Szerman divulgou que mesmo pessoas com baixa vulnerabilidade podem desenvolver psicose se usarem cannabis de alta potência. A esse respeito, ele destacou os resultados de um estudo recente, realizado no município canadense de Ontário, que constatou que os episódios psicóticos triplicaram na região após a legalização da cannabis para uso recreativo.
AMBOS OS TRANSTORNOS ESTÃO NEUROBIOLOGICAMENTE RELACIONADOS “Ambos os transtornos, o TUC e a psicose, estão neurobiologicamente relacionados no cérebro e compartilham também vulnerabilidade genética”, observou, ao mesmo tempo em que indicou que se sabe que as pessoas com vulnerabilidade à psicose (em sua maioria homens) começam a usar cannabis mais cedo na adolescência e apresentam um padrão de consumo mais grave.
Nesse sentido, a SEPD declarou que a presença de um TUC e de psicose na mesma pessoa é o que se conhece como patologia dupla, embora, neste caso específico, os especialistas falem de psicose dupla. Esta, portanto, poderia ser definida como uma síndrome clínica em que as principais manifestações são os sintomas psicóticos — além dos emocionais e comportamentais — juntamente com a presença de um transtorno de dependência.
Essa confluência constitui um dos transtornos mentais “mais graves”, uma vez que “afeta todas as funções mentais críticas”, continuou esse especialista, que acrescentou que se trata de uma “área órfã da Psiquiatria”, pelo que a formação acadêmica tradicional é, até agora, “deficiente” no campo da patologia dual.
Diante disso, a Fundação Patologia Dupla lançou, em parceria com a Universidade Francisco de Vitoria (UFV) de Pozuelo de Alarcón, em Madri, o curso universitário online “Psicose Dupla: Psicose e Transtorno por Uso de Substâncias”, com início em 13 de abril. Entre seus objetivos está aprofundar a importância do tratamento integrado — biológico, psicológico e social — de ambos os transtornos.
“O tratamento separado no tempo (sequencial) ou em diferentes contextos (paralelo) resulta em maior fracasso terapêutico”, prosseguiu Szerman, após o que declarou que “as evidências indicam que o tratamento da psicose e da dependência deve ser integrado e realizado por equipes multidisciplinares com formação em patologia dual”.
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