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MADRID 21 abr. (EUROPA PRESS) -
O neurofisiologista clínico e especialista em medicina do sono Óscar Larrosa alertou para o impacto que a falta de descanso tem sobre a saúde e a segurança no trabalho, indicando que a má qualidade do sono está associada a um risco até 88% maior de sofrer acidentes no trabalho ou no trajeto entre a residência e o local de trabalho.
“A sonolência diurna e a diminuição da capacidade de concentração são fatores-chave nesse aumento do risco”, destacou ele no âmbito do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, comemorado em 28 de abril. Segundo ele, no caso da apneia do sono, um dos distúrbios mais frequentes, o risco de acidentes pode aumentar em até 50%, sobretudo em profissões que envolvem direção ou operação de máquinas.
Larrosa destacou que o funcionamento correto do ciclo vigília-sono influencia diretamente o desempenho, a saúde e a segurança no trabalho, algo que se sabe há anos, mas que na Europa, e especialmente na Espanha, demorou mais para ser integrado à cultura laboral.
Nesse sentido, ele observou que em países como os Estados Unidos já existem programas corporativos e até mesmo incentivos para melhorar o sono dos funcionários. Na Espanha, trata-se de uma abordagem pouco desenvolvida, razão pela qual ele instou a considerar o sono como um “pilar” dentro da estratégia de saúde ocupacional, assim como a alimentação ou o exercício físico.
O especialista observou que as alterações do sono estão relacionadas a um aumento do absenteísmo no trabalho. De acordo com o relatório internacional sobre o impacto social e econômico da insônia em adultos, 15% da população em idade produtiva sofre de insônia crônica, o que se traduz em 11 a 18 dias de licença médica por ano.
No caso da apneia obstrutiva do sono, quando não diagnosticada ou tratada, pode duplicar o risco de absenteísmo e aumentar a duração das licenças médicas.
REDUÇÃO DO DESEMPENHO
Além disso, Larrosa destacou que o déficit de sono repercute no presentismo, ou seja, trabalhadores que comparecem ao trabalho, mas com desempenho reduzido. “O insônia crônica pode causar entre 39 e 45 dias de presentismo por ano, com uma perda significativa de produtividade”, explicou.
Estudos recentes também demonstraram que pessoas que dormem menos de seis horas apresentam um desempenho claramente inferior em comparação com aquelas que descansam entre sete e oito horas.
A qualidade do sono também está relacionada a funções como memória, concentração, gestão emocional ou tomada de decisões; por isso, o especialista destacou que profissionais com responsabilidades nas empresas podem ser especialmente afetados após uma noite de sono ruim.
Por sua vez, o teletrabalho tem repercussões de diferentes maneiras. Enquanto a flexibilidade que oferece pode favorecer melhores hábitos de descanso em algumas pessoas, a falta de separação entre vida pessoal e profissional pode gerar hábitos pouco saudáveis.
A esse respeito, um estudo recente aponta que 41% dos trabalhadores remotos apresentam má qualidade do sono, contra 29% daqueles que trabalham presencialmente.
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