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MADRID 31 mar. (EUROPA PRESS) -
O cirurgião vascular e vice-presidente da União Internacional de Flebologia (UIP), Rodrigo Rial, alertou que a doença venosa crônica, especialmente em estágios avançados, aumenta o risco de mortalidade por qualquer causa e, especialmente, por eventos cardiovasculares graves, conforme apoiado por evidências científicas.
"Temos cada vez mais evidências de uma relação epidemiológica, mas ainda não de causa-efeito, entre a doença venosa crônica e o risco cardiovascular", disse ele na segunda-feira na apresentação do relatório técnico 'Atualização estratégica multidisciplinar sobre doença venosa crônica', que inclui dados e recomendações sobre uma patologia que afeta 60% da população.
O especialista enfatizou que a doença venosa crônica é outro fator de risco cardiovascular e destacou que "ainda" não foi encontrada uma relação bidirecional entre ambas. Dessa forma, ele detalhou que não há evidências de que a doença arterial cause DCV, mas ambas as patologias compartilham "uma série de fatores de risco" e "uma série de fatores histopatológicos", como a disfunção endotelial. "A disfunção endotelial venosa pode levar à disfunção endotelial arterial", disse ele.
Com isso, Rial quis alertar que a doença venosa crônica não é tão benigna como tendemos a pensar e traz riscos significativos. "Provavelmente mais da metade das pessoas que estão aqui chegam em casa com as pernas cansadas e um terço tem varizes, ou terá. Portanto, essa é a doença que mais reduz a qualidade de vida das pessoas no mundo", explicou.
Os sintomas da DCV incluem sensação de peso, dor ou inchaço nas pernas, vasinhos, varizes ou, em casos extremos, úlceras venosas. O tratamento é baseado em três pilares: terapia de compressão, tratamento farmacológico e intervenções cirúrgicas ou escleroterapia.
ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR
Na Espanha, há cerca de 900 cirurgiões vasculares e cerca de 15 milhões de pessoas com varizes, além de meio milhão com doenças venosas, de acordo com Rial. Por esse motivo, ele enfatizou a importância de trabalhar em conjunto com especialidades como a medicina familiar, bem como com a farmácia comunitária.
A partir dessa abordagem comum, surge o documento "Atualização Estratégica Multidisciplinar sobre Doença Venosa Crônica", preparado pelo Conselho Consultivo Estratégico sobre DCV do Capítulo Espanhol de Flebologia e Linfologia (CEFyL), a Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN) e a Sociedade Espanhola de Farmácia Clínica, Familiar e Comunitária.
Como parte dessa equipe multidisciplinar, Mª Olga García, membro do Grupo de Hipertensão Arterial e Doenças Cardiovasculares da SEMERGEN, participou da apresentação do documento, destacando o papel dos médicos de família no diagnóstico precoce dessa doença e na avaliação do risco vascular.
"Quando um paciente com doença venosa crônica nos procura, temos que considerar que esse paciente compartilha muitos fatores de risco cardiovascular, como diabetes ou hipertensão (...), e que outras doenças arteriais também podem estar aparecendo (...). O mesmo acontece do outro lado, quando temos pacientes com fatores de risco cardiovascular, temos que pensar que a prevalência da doença venosa crônica nesses pacientes é muito alta, inclusive com o aparecimento de complicações como a trombose", disse.
Por sua vez, a farmacêutica comunitária e membro da Sociedade Espanhola de Farmácia Clínica, Familiar e Comunitária (SEFAC) Irene Escudero destacou a "alta carga sanitária e econômica" da doença em estágios avançados e advertiu que é necessária uma "educação sanitária" por se tratar de uma patologia "banalizada".
Com relação ao trabalho dos farmacêuticos, ela destacou que, às vezes, eles se tornam "a primeira linha de detecção e encaminhamento para o médico", devido à "acessibilidade, proximidade e confiança" que os pacientes têm com esses profissionais. Além de detectar o subdiagnóstico, ele também destacou o trabalho que eles realizam na educação e na obtenção da adesão ao tratamento.
CAMPANHA VENDETECTA
No contexto da Semana das Veias, a campanha "VenDETECTA", promovida pelos Laboratórios Servier, terá início no dia 7 de abril. Sob o lema "Se a doença venosa está em suas pernas, o diagnóstico precoce está em suas mãos", a iniciativa tem como objetivo conscientizar e informar sobre essa patologia.
Com duração de uma semana, a campanha será realizada em mais de 30 centros de saúde em 11 comunidades autônomas. Lá, os cidadãos poderão participar de atividades de triagem por meio de testes rápidos de detecção de insuficiência venosa, receberão materiais informativos e poderão tirar dúvidas com profissionais especializados.
Além disso, os profissionais de Atenção Primária e Enfermagem receberão treinamento específico em reuniões nas quais será analisado o documento "Atualização Estratégica Multidisciplinar sobre Doença Venosa Crônica".
Da Servier Espanha, Pilar Murga, do departamento médico da empresa, indicou que o objetivo é transmitir que os sinais e sintomas da DCV podem levar a uma deterioração da qualidade de vida dos pacientes se não forem tratados, bem como conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce para evitar a progressão da doença.
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