Reid Wiseman/NASA / Zuma Press / ContactoPhoto
MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS) -
A porta-voz da Sociedade Espanhola de Reumatologia (SER) e reumatologista do Hospital Universitário Germans Trias i Pujol, em Badalona, na região de Barcelona, a doutora Laia Gifre, destacou que missões espaciais como a Artemis II causam perdas de massa óssea nos astronautas de “entre 1% e 1,5% ao mês”.
Essa situação é “muito acentuada na região do quadril”, explicou ela, acrescentando que podem ocorrer perdas acumuladas de 10% a 26% em missões com duração superior a seis meses. “Embora haja recuperação após o retorno à Terra, ela é lenta e nem sempre completa: leva de um a três anos para atingir os valores anteriores, e mesmo assim sem recuperar completamente a massa óssea em algumas áreas”, afirmou.
Nesse contexto, a SER questionou como as condições de microgravidade podem afetar os astronautas e a relevância que o estudo desse fenômeno pode ter para compreender melhor doenças como a osteoporose e otimizar seu tratamento na população em geral, nas condições de vida na Terra.
A microgravidade condiciona “uma alteração da saúde musculoesquelética, o que se traduz em uma perda significativa tanto de massa muscular quanto óssea”, continuou Gifre, já que, na ausência de gravidade, o osso perde a carga mecânica necessária para manter sua densidade e qualidade. Essa perda de massa óssea, “por sua vez, está associada a uma diminuição da qualidade óssea”, enfatizou.
Além disso, esse processo acarreta a liberação de cálcio na corrente sanguínea, o que pode resultar em complicações como litíase renal e até mesmo calcificação vascular. “A perda de massa muscular e óssea pode estar associada ao desenvolvimento de fraturas esqueléticas”, alertou, juntamente com outros problemas decorrentes da descalcificação.
EXERCÍCIO E MEDICAMENTOS
Diante de tudo isso, as missões espaciais incorporaram medidas como exercícios físicos de resistência e o uso de medicamentos. “O exercício por si só não é suficiente, mas, combinado com tratamentos para a osteoporose, demonstrou manter a quantidade e a qualidade óssea”, destacou essa especialista.
Além dessas consequências para os astronautas, a SER expôs que essas descobertas têm um impacto direto na medicina, pois situações como repouso prolongado na cama, lesões medulares e AVC apresentam mecanismos semelhantes de perda óssea por falta de carga. “Os estudos nessas condições são os que geram a maior evidência científica sobre a osteoporose por desuso e, posteriormente, são aplicados aos astronautas”, concluiu Gifre.
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