Publicado 17/03/2026 13:27

Especialista afirma que as picadas de cobra causam “cerca de 100 mil mortes” e quase 500 mil amputações por ano em todo o mundo

Especialista afirma que as picadas de cobra causam “cerca de 100 mil mortes” e quase 500 mil amputações por ano em todo o mundo
RANME

A RANME inaugura a exposição 'De poções e serpentes: entre a Triaca Magna e uma emergência de saúde global' MADRID 17 mar. (EUROPA PRESS) -

A Real Academia Nacional de Medicina da Espanha (RANME) inaugurou a exposição 'De poções e serpentes: entre a triaca magna e uma emergência de saúde global', evento no qual o acadêmico titular de Medicina Preventiva e Social, o professor Jorge Alvar, indicou que a picada de cobra causa “cerca de 100.000 mortes” e quase 500.000 amputações por ano no mundo.

“As consequências desses encontros acidentais representam, a cada ano, cerca de 2,7 milhões de picadas”, explicou ele por ocasião da inauguração desta exposição, organizada em colaboração com o Museu da Farmácia Hispânica-UCM e o Museu Nacional de Ciências Naturais-CSIC. Esses casos ocorrem “principalmente no sul da Ásia, na África e na América do Sul”, afirmou.

Com mais de 100 peças únicas de grande valor, esta exposição contou com o apoio da “Fundação ASISA, liderada pela Dra. María Tormo”, que “foi, mais uma vez, o pilar fundamental que tornou possível a realização” da mesma, assegurou seu curador. A triaca magna, um dos antídotos mais conhecidos contra venenos, surgida no mundo helenístico e consolidada na época romana, é um dos elementos centrais.

“Era uma mistura de ingredientes que incluía plantas, minerais e carne de cobra, baseada na suposição de que ‘o semelhante cura o semelhante’”, indicou, por sua vez, a curadora da exposição e pesquisadora do Departamento de Biodiversidade e Biologia Evolutiva do MNCN-CSIC, a Dra. Aida Verdes, que acrescentou que “muitos desses conceitos médicos eram errôneos, mas isso mostra que o ser humano vem tentando, há mais de 2.000 anos, entender como funcionam os venenos e como se proteger deles”.

Em seguida, o diretor do MNCN-CSIC, o professor Rafael Zardoya, afirmou que a instituição que lidera “contribui para esta exposição com seu conhecimento sobre o mundo animal e as inúmeras espécies que desenvolveram a capacidade de produzir veneno, com especial atenção às cobras”. “Há uma grande diversidade e riqueza de venenos que, em muitos casos, podem ter potencial terapêutico”, considera.

O objetivo é “conscientizar a população sobre o perigo das picadas de cobra e a necessidade de se dispor de antídotos”, destacou o membro titular da Real Academia Nacional de Farmácia e diretor do Museu da Farmácia Hispânica-UCM, Antonio González.

COMBINAÇÃO COMPLEXA DE TOXINAS

A exposição mostra que o veneno de cobra é uma combinação complexa de toxinas, das quais algumas alteram a coagulação, outras interferem na transmissão nervosa e outras causam necrose nos tecidos localmente. “Sem atendimento médico adequado e, em particular, sem antídoto, o desfecho pode ser fulminante”, afirmou Alvar, que acrescentou que “mesmo quando a pessoa sobrevive, as sequelas costumam ser graves e duradouras: deficiência, dor crônica, perda de membros e trauma psicológico”.

Outra participante deste evento foi a cientista em saúde pública veterinária e doenças tropicais negligenciadas zoonóticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Dra. Bernadette Abela, que lembrou que a picada de cobra é uma doença tropical negligenciada e que este organismo internacional já lançou, em 2018, um apelo à ação global com o objetivo de reduzir, até 2030, pela metade as mortes e as incapacidades.

“As mudanças climáticas estão alterando a distribuição das cobras, mudando quando e onde os seres humanos as encontram”, continuou ela, acrescentando que “prevê-se que muitas espécies de cobras venenosas aumentem em abundância, bem como seu contato com as pessoas em algumas regiões”. “A tendência geral sugere que a Espanha poderá sofrer, no futuro, mudanças na presença e na atividade das cobras”, revelou.

Abela destacou que “a Espanha contribui em crises humanitárias quando o problema das picadas de cobra se torna mais visível”. “Grupos de resposta humanitária, como Médicos Sem Fronteiras Espanha, participam ativamente na resposta ao envenenamento por picada de cobra”, assegurou.

Por fim, o presidente da RANME, o professor Eduardo Díaz-Rubio, referiu-se à monografia correspondente com todo esse conteúdo. “Faz parte da Série de Monografias da RANME, uma iniciativa editorial para destacar a relevância acadêmica, histórica e social de nossas exposições, entendidas não apenas como eventos culturais, mas também como instrumentos de reflexão e divulgação do conhecimento médico”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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