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MADRID, 24 abr. (EUROPA PRESS) -
De 2010 a 2020, a morte súbita aumentou aproximadamente 31% na Europa, o que resultou em uma morte a cada 2,2 minutos, segundo um estudo internacional liderado pela Universidade de Ferrara (Itália), que aponta a Espanha como o país onde essa mortalidade cresceu mais, com um aumento médio anual em torno de 3,3%, em contraste com as quedas observadas em países como a Áustria ou a Bélgica.
O estudo, que contou com a participação da Universidade de Pádua (Itália) e de hospitais de referência na França e na Itália, analisou dados de mortalidade da Organização Mundial da Saúde (OMS) que abrangiam 26 países europeus e mais de 53 milhões de mortes.
Seus resultados, publicados na revista “The Lancet Regional Health”, mostram que a morte súbita representou quase 5% de todas as mortes e uma tendência de aumento na atribuição da mortalidade por essa causa de 2,9% ao ano, com um aumento significativamente maior entre as mulheres — embora a maioria das mortes súbitas tenha ocorrido entre homens — e com diferenças geográficas — houve aumentos maiores no leste e no sul da Europa.
Em conjunto, os pesquisadores apontam que “esses achados fornecem evidências atuais em nível populacional de que a morte súbita continua sendo uma causa importante de mortalidade na Europa, com disparidades crescentes de acordo com o sexo e a região”. Além disso, afirmam que “o fortalecimento das estratégias de prevenção primária e secundária continua sendo crucial para abordar as causas profundas das disparidades por sexo e região, e para garantir um progresso contínuo na redução da mortalidade por morte súbita”.
O chefe da seção de Arritmias e Cardiopatias Hereditárias do Hospital Universitário Virgen de las Nieves, em Granada, e professor titular vinculado à Universidade de Granada, Juan Jiménez Jáimez, afirma que “é importante enfatizar que se trata de um estudo descritivo, que não pretende identificar causas, mas caracterizar o fenômeno, o que abre espaço para a interpretação e a geração de hipóteses”.
“Nesse contexto, as descobertas adquirem especial relevância ao mostrar que a morte súbita constitui um problema crescente de saúde pública, com um aumento sustentado na última década, o que reforça a necessidade de desenvolver estratégias e políticas de saúde globais voltadas para sua prevenção e tratamento”, destaca à SMC Espanha.
ESPANHA E ALEMANHA, ONDE O CRESCIMENTO É MAIOR
Em nível nacional, a análise revela fortes contrastes: enquanto a Áustria e a Bélgica registram as maiores reduções anuais na mortalidade atribuída à morte súbita (8% e 7,9%, respectivamente), a Espanha e a Alemanha estão entre os países onde ela mais aumenta, com incrementos médios próximos a 3,3% e 2,8% ao ano, respectivamente.
No caso da Espanha, aponta o especialista, “o aumento observado provavelmente responde a uma interação multifatorial, na qual se destaca claramente o envelhecimento populacional, já que é o país com maior expectativa de vida da Europa e do mundo, o que implica uma maior proporção da população em faixas etárias de alto risco”.
“A idade avançada continua sendo o fator de risco para sofrer um episódio de morte súbita, com uma proporcionalidade direta à prevalência de doença cardiovascular aterosclerótica, causa fundamental da morte súbita. A isso soma-se uma mudança nos estilos de vida, especialmente entre as mulheres, com maior sedentarismo e aumento dos fatores de risco cardiovascular (obesidade, diabetes, hipertensão), o que pode contribuir para o aumento mais acentuado observado neste subgrupo”, afirma à agência SMC.
Além disso, continua Jiménez Jáimez, “não se pode descartar o impacto de fatores relacionados à cadeia de sobrevivência, incluindo uma possível menor capacitação da população em reanimação cardiopulmonar e variabilidade na resposta pré-hospitalar, bem como a presença e o manejo de desfibriladores pré-hospitalares, aspectos que condicionam de forma decisiva a evolução da parada cardíaca”.
Os Estados da UE incluídos na análise foram: Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Malta, Países Baixos, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Suécia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha e Suíça.
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