MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -
A Espanha experimentou um crescimento notável na implementação de serviços de Cuidados Paliativos, com 450 equipes especializadas, o que significa 0,96 serviços por 100.000 habitantes, em comparação com os 0,6 registrados em 2019, mas ainda está longe dos países europeus com maiores recursos.
Isso está de acordo com o "Atlas de Cuidados Paliativos na Europa 2025", um estudo realizado pelo Observatório Global ATLANTES do Instituto de Cultura e Sociedade (ICS) da Universidade de Navarra em colaboração com a Associação Europeia de Cuidados Paliativos (EAPC) e apresentado nesta quinta-feira no 19º Congresso Mundial da EAPC, que está sendo realizado em Helsinque (Finlândia).
De acordo com o estudo, a Espanha ocupa o 25º lugar entre os 53 países analisados, bem na média do continente, mas ainda longe dos Estados com maiores recursos, como Áustria, Suíça ou Suécia, que contam com mais de duas equipes específicas por 100.000 habitantes, o padrão recomendado pela Sociedade Espanhola de Cuidados Paliativos (SECPAL).
Quanto aos serviços especializados em cuidados paliativos pediátricos, embora ainda sejam escassos, o documento observa que sua presença aumentou de 10 em 2019 para 53 atualmente.
DESIGUALDADES TERRITORIAIS
A SECPAL assegurou que esses avanços oferecem "motivos de esperança", mas também revelam a necessidade de abordar as desigualdades territoriais observadas na Espanha, que serão detalhadas em um relatório a ser publicado nos próximos meses pelo Observatório de Cuidados Paliativos na Espanha, um projeto desenvolvido pela própria Sociedade com o apoio da Fundação Dignia.
"Na Espanha, não existem normas nacionais para definir o que é uma unidade hospitalar de cuidados paliativos, uma equipe de atendimento domiciliar ou uma equipe de consultores. Nesse contexto, é necessário avançar para modelos eficazes de coordenação e harmonização que garantam a qualidade e a equidade, respeitando a estrutura descentralizada do NHS", explicou o vice-presidente da SECPAL, Alberto Alonso.
Ele destacou que na Espanha existem "profundas desigualdades" relacionadas à presença de equipes especializadas, às doenças que elas tratam - muitas vezes limitadas à oncologia - e ao treinamento recebido pelos profissionais. Desigualdades que "não deveriam ter lugar" e contra as quais a SECPAL não vê um "compromisso firme" para reduzi-las.
O Atlas também alerta para a falta de implementação de treinamento em cuidados paliativos, uma disciplina que ainda está ausente da maioria dos programas de treinamento em cursos de Ciências da Saúde.
No caso da Medicina, apenas 23 das 53 faculdades da Espanha incluem uma disciplina de cuidados paliativos, um número que contrasta com o de países como o Reino Unido, a França ou a Holanda, onde esse ensino é obrigatório em todas as faculdades.
"Atualmente, os estudantes de ciências da saúde exigem treinamento em cuidados paliativos e reconhecem sua relevância, mas a maioria continuará saindo das faculdades sem conhecimento básico, porque pouquíssimas faculdades incluem essa matéria na graduação", disseram os representantes da SECPAL.
FALTA DE RECONHECIMENTO OFICIAL
Por outro lado, o estudo europeu adverte que a Espanha não avançou no reconhecimento oficial dos profissionais de cuidados paliativos, enquanto o restante da Europa Ocidental já aprovou processos oficiais para certificar esses especialistas.
De acordo com o pesquisador principal do Observatório Global de Cuidados Paliativos, Carlos Centeno, essa lacuna configura "um mapa no qual nosso país aparece como uma exceção negativa, apesar de ter uma sólida trajetória acadêmica e de saúde em cuidados paliativos".
Por sua vez, Alberto Alonso insistiu que a Espanha tem um sistema "sólido" de especialização que deve ser estendido aos cuidados paliativos. "Precisamos consolidar esse ramo do conhecimento, que propõe um modelo de atendimento transformador, com treinamento regulamentado e homogêneo que garanta a qualidade do atendimento e evite que as desigualdades continuem aumentando", disse ele.
200.000 MORTES COM SOFRIMENTO GRAVE
Todos os anos, mais de quatro milhões de pessoas morrem na Europa, e 200.000 na Espanha, com sofrimento grave relacionado à saúde, incluindo mais de 100.000 crianças. As principais causas dessas mortes são doenças que exigem um alto nível de cuidados paliativos.
Na Espanha, as principais causas dessas mortes são câncer (45%), demência (13%), doenças pulmonares (11%) e patologias cerebrovasculares (9%). No entanto, apenas 15 países europeus, ou seja, um em cada quatro, têm atualmente uma estratégia nacional de cuidados paliativos atualizada e avaliada.
Além disso, apenas nove países adotaram uma lei nacional específica sobre cuidados paliativos: França, Itália, Bélgica, Portugal, Armênia, Luxemburgo, Alemanha, Albânia e Áustria. Esta última, a mais recente, reconhece legalmente os cuidados paliativos como um direito e garante seu financiamento público, marcando um avanço decisivo na proteção do paciente.
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