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MADRI, 31 ago. (EUROPA PRESS) -
A Espanha reafirmou sua liderança internacional em doação de órgãos de pessoas falecidas, contribuindo com 23% dos doadores da União Europeia e 5% dos registrados em todo o mundo, apesar de representar apenas 11% da população europeia e 0,7% da população mundial.
É o que indica o último relatório do Observatório Mundial de Doação e Transplante, administrado pela Organização Nacional de Transplantes (ONT), publicado no “Newsletter Transplant” do Conselho da Europa.
Com uma taxa de 53,2 doadores por mil habitantes, a Espanha manteve-se, e já há mais de três décadas, como líder mundial em doação de pessoas falecidas, à frente dos Estados Unidos (47,7 por mil habitantes), da Islândia (37,5 por mil habitantes) e de outros países europeus.
“Não há nenhum país no mundo que registre a taxa espanhola de mais de 53 doadores por milhão de habitantes. Para se ter uma ideia, isso representa o dobro da média de doação de órgãos na União Europeia”, comemorou a diretora da ONT, Beatriz Domínguez-Gil.
Quanto à atividade de transplantes, a Espanha realizou 6.336 transplantes, o que representou uma taxa de 132,3 transplantes por mil habitantes em 2025, número superado apenas pelos Estados Unidos, com 143,7 transplantes por mil habitantes (49.920 transplantes).
Conforme explica a ONT, a diferença na taxa de transplantes entre os dois países se deve à maior atividade de doação em vida e ao perfil diferente do doador falecido nos Estados Unidos, que é mais jovem e, frequentemente, faleceu por causas evitáveis.
Além disso, a ONT destaca a elevada atividade de transplantes na Espanha, o que a colocou em primeiro lugar, com 4.000 transplantes renais e 556 pulmonares em 2025. “A Espanha alcança a maior taxa de transplante renal e pulmonar por milhão de habitantes do mundo. Nenhum outro país atingiu essa taxa”, destacou a diretora da ONT.
AUMENTA O NÚMERO DE TRANSPLANTES EM NÍVEL MUNDIAL
Em 2025, foram realizados 183.896 transplantes de órgãos nos 96 países que haviam fornecido seus dados até 26 de agosto de 2026 ao Registro Mundial.
Desses transplantes, 116.775 foram de rim (38% de doador vivo), 45.566 de fígado (23% de doador vivo), 10.748 de coração, 8.472 de pulmão, 2.155 de pâncreas e 180 de intestino. Esses procedimentos foram possíveis graças às 49.169 pessoas que doaram seus órgãos após o falecimento e às 54.630 que doaram um órgão em vida.
Assim, a atividade de transplantes em 2025 aumentou 4% em relação ao ano anterior. Por tipo de transplante, o maior aumento foi registrado no transplante hepático, que cresceu 5%, seguido pelo cardíaco (4%) e pelo renal (3%).
O crescimento na atividade de transplantes deveu-se, em grande parte, ao aumento no número de procedimentos realizados a partir de doadores vivos, que cresceram 4% em relação a 2024, com 44.241 transplantes de rim, 10.355 de fígado e 16 de pulmão.
Também contribuiu para esse crescimento a doação de pessoas falecidas, que aumentou 2%, embora às custas da doação em assistolia, já que a doação em morte cerebral diminuiu.
O número de doadores em assistolia passou de 13.366 em 2024 para 14.865 em 2025, o que representa um aumento de 11% e correspondeu a 30% dos doadores falecidos em todo o mundo. Dos 28 países que realizaram esse tipo de doação no ano passado, a Espanha foi novamente o que registrou maior atividade, com 1.416 doadores em assistolia e uma taxa de 29,6 por milhão de habitantes (p.m.h.). Assim, a Espanha contribuiu com 48% dos doadores em assistolia de toda a União Europeia (UE) e com 10% do total mundial.
ESPANHA, ÚNICO PAÍS QUE REALIZA TRANSPLANTES DE INTESTINO EM ASISTOLIA
Os doadores em assistolia permitiram a realização de 32.175 transplantes de todos os tipos, o que foi possível graças à introdução de sistemas de preservação que permitem reduzir o impacto da falta de fluxo nos órgãos e alcançar resultados adequados após o transplante.
Segundo a ONT, devido à sua complexidade técnica, o crescimento progressivo do transplante cardíaco em assistolia é particularmente notável. Enquanto em 2021 foram realizados apenas 300 transplantes cardíacos em casos de assistolia em seis países, em 2025 foram realizados 1.463 em doze (Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Espanha, Estados Unidos, Itália, Países Baixos, Reino Unido e Suíça), dos quais 137 (9%) foram realizados na Espanha. Além disso, a Espanha foi o único país a realizar transplantes de intestino de doadores em asistolia, mais precisamente, 4 procedimentos.
Em 2025, a Espanha voltou a ser o país com maior atividade transplantatória a partir de doadores em asistolia. A taxa de transplantes de órgãos obtidos desses doadores foi de 63,5 por mil habitantes na Espanha, seguida pela registrada nos Estados Unidos e na Bélgica, que realizaram 46,7 e 39,7 transplantes por mil habitantes desse tipo, respectivamente.
A DOAÇÃO E O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS CRESCEM NA UNIÃO EUROPEIA
A atividade de doação e transplante na UE voltou a registrar recordes históricos em 2025. Com 11.044 doadores falecidos e 3.653 doadores vivos, foram realizados na UE, no ano passado, 32.816 transplantes de órgãos. O aumento na doação foi de cerca de 2% e, nos transplantes, um pouco superior a 1% em relação aos números registrados em 2024.
Apesar do crescimento constatado, a ONT destaca que é importante lembrar que, em 31 de dezembro de 2025, 53.343 pacientes na UE estavam na lista de espera para o transplante de um órgão. De acordo com dados do Observatório Mundial, na UE, nove pacientes que aguardavam um transplante faleceram a cada dia.
CRESCIMENTO NA AMÉRICA LATINA
Da mesma forma, a ONT ressalta que a América Latina, com a qual a Espanha colabora há mais de 20 anos, registrou em 2025 um aumento de 5% em sua atividade de transplantes. A região atingiu 6.366 doadores falecidos (10,5 por mil habitantes), 6% a mais que no ano anterior, e realizou 18.301 transplantes de órgãos (30,1 por mil habitantes).
A Argentina registrou a maior taxa de doação, com 20,8 doadores por mil habitantes, seguida pelo Brasil (18,7) e pelo Uruguai (17,9). A Argentina, com 66 doadores em asistolia, consolidou-se também como referência regional nesse modelo de doação.
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