Publicado 28/05/2026 07:44

A Espanha diante da adoção da nuvem: um início lento, mas à frente da UE no uso estratégico e avançado

Recurso de funcionário trabalhando em um laptop
UNSPLASH/CC/GLENN CARSTENS-PETERS

MADRID 28 maio (Portaltic/EP) -

A Espanha é um país de contrastes no que diz respeito à adoção da nuvem: embora tenha dificuldade em começar a usar ferramentas consideradas básicas, está acima da média europeia no uso estratégico e avançado dessa tecnologia.

A Espanha ocupa a 21ª posição entre os países da União Europeia no que diz respeito ao uso geral de serviços de computação em nuvem pagos, com uma adoção nacional de 44%. Se levarmos em conta o uso de ferramentas consideradas básicas, nosso país fica abaixo da média da UE.

No entanto, a situação muda quando se analisam soluções tecnológicas de alto valor estratégico. As empresas espanholas demonstram um nível de maturidade superior ao de seus vizinhos. A integração de aplicativos ERP para planejamento de recursos empresariais na nuvem atinge 47%, contra 30% da média de nossos parceiros europeus.

Da mesma forma, a Espanha, com 41,7% de penetração, supera a média da UE em aplicativos de CRM (quase 28%). Na contratação de capacidade de computação para software próprio, as empresas espanholas atingem 33%, enquanto a média na Europa é de 25%; e em plataformas para desenvolvimento de aplicativos na Espanha, chega-se a quase 31%, contra 26% da média europeia.

Esses dados constam do relatório “Cloud Nation 2026”, elaborado pela empresa de tecnologia espanhola Aire, em colaboração com a Atlas Tecnológico, que analisa o estado atual da adoção de tecnologias em nuvem, inteligência artificial e “edge computing” na Espanha e na Europa.

Segundo a Aire, esse paradoxo nacional se explica, em grande parte, pelas profundas diferenças entre setores e comunidades autônomas. Em nível setorial, as empresas de TIC (76,48%) e de serviços (48,71%) lideram a contratação de serviços em nuvem, enquanto a indústria fica para trás (40,35%), assim como a construção civil (35,38%).

A Catalunha (58%) e a Comunidade de Madri (54,15%) são as comunidades autônomas que lideram a adoção, situando-se acima da média nacional. Outras onze comunidades autônomas apresentam uma adoção entre 30% e 40%.

FALTA DE TALENTO

O relatório Cloud Nation 2026 também aponta que a principal barreira para que as empresas adotem essas tecnologias não é o preço, mas o talento. 60% das empresas espanholas apontam a falta de conhecimentos especializados relevantes como o principal motivo para não utilizar a nuvem.

Essa escassez de talento técnico prejudica as PMEs (empresas com menos de 50 funcionários) que, segundo explica a Aire, ficam paralisadas diante da complexidade técnica, enquanto as grandes empresas já estão imersas no investimento impulsionado pela inteligência artificial e arquiteturas complexas.

Para o diretor-geral de nuvem e cibersegurança da Aire, Santi Magazù, “o verdadeiro desafio como país é garantir que as PMEs e o setor industrial não fiquem para trás. Para isso, precisamos democratizar o acesso à nuvem, eliminando a barreira do conhecimento técnico com soluções intuitivas e garantindo que seus dados permaneçam seguros em território europeu”.

IA E NUVEM SOBERANA

Da mesma forma, o Observatório constata que a busca por flexibilidade (52%) e a amplitude de serviços (50%) são os principais motivos para escolher um provedor de nuvem. Mas nesta nova etapa dominada pela IA, a segurança e a regulamentação (como a diretiva NIS2) mudaram as regras do jogo.

Hoje, 57% das organizações que sentem a necessidade de operar sua infraestrutura dentro de um único país o fazem por preocupações com segurança ou proteção de dados, consolidando a nuvem soberana como uma obrigação estratégica para evitar ciberataques e o risco de dependência de fornecedores estrangeiros.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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