MADRID 24 abr. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo, publicado na revista “Fluids and Barriers of the CNS”, revela que o espaço que envolve os neurônios desempenha um papel ativo na comunicação cerebral, e não passivo, como se acreditava anteriormente.
Isso é demonstrado por um trabalho internacional liderado por um pesquisador do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC). A pesquisa indica que a forma e a organização do chamado espaço extracelular influenciam diretamente a forma como os sinais químicos são transmitidos entre os neurônios.
Quando um neurônio se comunica com outro, libera substâncias químicas chamadas neurotransmissores, que devem se deslocar por esse espaço até encontrar seu destino. Até agora, pensava-se que esse ambiente fosse apenas um meio de passagem. No entanto, o novo estudo demonstra que não se trata de um espaço passivo, mas que pode facilitar ou dificultar o movimento desses sinais, o que influencia a rapidez e a precisão da comunicação neuronal.
A equipe de pesquisa observou que esse efeito depende do tipo de sinapse, ou seja, do ponto de contato entre os neurônios. Nas sinapses excitatórias, que ativam a atividade neuronal e estão relacionadas a processos como a aprendizagem e a memória, a forma do ambiente ajuda a eliminar rapidamente o neurotransmissor. Isso evita interferências com outras sinapses próximas e permite que cada conexão funcione de maneira independente e precisa.
Por outro lado, nas sinapses inibitórias, que servem para frear e regular a atividade cerebral, o ambiente favorece que o neurotransmissor se espalhe lateralmente. Isso reforça um sinal de fundo que ajuda a manter o equilíbrio da atividade cerebral e evita a superexcitação.
Segundo os autores, essa descoberta abre novos caminhos para compreender o funcionamento do cérebro e o impacto que fatores como o envelhecimento, lesões ou doenças neurológicas podem ter na comunicação neuronal. Nesse sentido, o estudo ressalta a importância de abordar o cérebro como um sistema integrado, no qual não importam apenas as neurônios, mas também o ambiente em que elas se comunicam.
Para chegar a essas conclusões, a equipe combinou microscopia de altíssima resolução, capaz de observar o cérebro em escalas muito pequenas, com modelos computacionais que simulam como as moléculas se movem no tecido cerebral real.
“Os resultados mostram que o espaço entre as neurônias não é apenas um vazio, mas uma parte ativa do sistema”, explicou Jan Tonnesen, pesquisador do CSIC no Instituto Biofisika (IBF-CSIC-UPF) e líder do estudo. Por sua vez, a pesquisadora Laura Giménez, coautora da pesquisa, acrescenta que “a própria estrutura do cérebro contribui para que os sinais sejam transmitidos de forma mais eficiente”.
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