DELEGACIÓN DE CASTILLA Y LEÓN
BURGOS 18 set. (EUROPA PRESS) -
A escavação arqueológica em Sasamón (Burgos) revelou uma cozinha romana datada entre o final do século I a.C. e o início do século I d.C., uma descoberta que faz parte do projeto de pesquisa promovido há uma década pelo Instituto de Arqueologia de Mérida (IAM) e pela Universidade de Salamanca para estudar a evolução histórica da antiga Segisamo e seu território.
Nesse contexto, as escavações realizadas durante o mês de agosto no terreno de La Era, próximo à igreja de Santa María la Real de Sasamón, permitiram identificar diversas estruturas pertencentes à primeira fase de ocupação da cidade romana.
Entre elas, destaca-se o cômodo que os pesquisadores identificam como uma possível cozinha doméstica, um espaço excepcional para compreender como viviam e se alimentavam os habitantes da localidade há aproximadamente 2.000 anos.
Além disso, os arqueólogos documentaram vestígios de um possível forno, camadas de cinzas e carvão, além de abundante material relacionado à preparação e ao consumo de alimentos.
Entre os objetos recuperados estão grandes recipientes para armazenamento, jarros, tigelas, almofarizes, panelas e fragmentos de um clibanus, um pequeno forno portátil utilizado para assar pão.
“Temos uma imagem um tanto idealizada das cidades romanas como espaços monumentais, mas raramente encontramos mosaicos e paredes pintadas em ambientes domésticos e produtivos”, destacou o doutor da Universidade de Salamanca, José Manuel Costa García, ao se referir a uma construção modesta cujas paredes de adobe se erguiam sobre rodapés de pedra e cujos pisos eram feitos de materiais simples e funcionais.
VÁRIAS CULTURAS
Além disso, os materiais recuperados mostram a coexistência de diferentes formas culturais, já que, ao lado de cerâmicas importadas ou inspiradas em modelos itálicos, aparecem peças ligadas às tradições da população indígena turmoga.
“Na época de Augusto e Tibério, viviam em Segisamo pessoas cujas práticas culinárias eram plenamente romanas, mas isso não significa que todos os habitantes da cidade fossem forasteiros, pois algumas das cerâmicas seguem a tradição turmoga”, destacou o pesquisador do IAM, Jesús García Sánchez.
Segundo os pesquisadores, essa combinação reflete o processo de transformação social e cultural pelo qual o território passou após a chegada de Roma e ajuda a compreender melhor a identidade daqueles que habitaram a cidade.
HISTÓRIA DE SASAMÓN
A campanha também traz novos dados sobre a ocupação histórica do local ao longo dos séculos, que se refletem abaixo dos níveis romanos com indícios que poderiam corresponder a ocupações da Idade do Ferro, enquanto em camadas mais recentes foram documentados vestígios das épocas medieval, moderna e contemporânea. Entre essas descobertas, destaca-se uma pequena necrópole do século XIX, cuja existência era praticamente desconhecida até agora.
Juntamente com a escavação arqueológica, o projeto desenvolveu um intenso trabalho de prospecção por meio de tecnologias não invasivas, como o uso de drones equipados com diversos sensores, bem como georradar e magnetômetro, o que permitiu localizar novas evidências arqueológicas em diferentes pontos da região sem a necessidade de intervir diretamente no subsolo.
Essas técnicas identificaram desde pequenos assentamentos rurais da época romana até um possível povoado pré-histórico que amplia em vários milênios a sequência cronológica conhecida para este território da província de Burgos.
Os resultados apresentados este ano coincidem com o décimo aniversário de um projeto que se consolidou como referência na pesquisa arqueológica em Castela e Leão.
A escavação é liderada por equipes do Instituto de Arqueologia de Mérida e da Universidade de Salamanca, e o programa combina pesquisa, inovação tecnológica e formação de jovens especialistas para reconstruir a história da antiga Segisamo e seus arredores, desde a Pré-história até a Era Contemporânea.
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