SORIA 31 jul. (EUROPA PRESS) -
A campanha de escavações no sítio arqueológico de Numancia, em Soria, documentou uma ocupação pré-histórica, anterior às culturas celtibérica e romana, muito mais conhecidas, conforme explicou uma das codiretoras, Raquel Liceras.
O diretor-geral de Patrimônio Cultural, José Ramón Sola, participou nesta sexta-feira da apresentação das descobertas desta campanha promovida pelo Governo Regional e explicou que o sítio arqueológico não era escavado para fins científicos desde 2019.
Os trabalhos foram dirigidos pela professora da Universidade Complutense de Madri, Raquel Liceras, e pelos arqueólogos Sergio Quintero, Carlos Tabernero e Juan Pedro Benito, todos especialistas no sítio e com ampla trajetória de pesquisa em Numancia.
A equipe contou, além disso, com a colaboração de profissionais e voluntários especializados em arqueologia da província de Soria, e a intervenção arqueológica foi realizada em uma área previamente escavada entre 1998 e 2000 por Alfredo Jimeno.
Trata-se de um dos setores com maior potencial estratigráfico do sítio, o que o torna crucial para o estudo da sobreposição das diferentes ocupações da cidade.
Durante esta campanha, foram realizadas intervenções na chamada Casa A e em um trecho da muralha circunvalativa, a fim de realizar uma leitura vertical dos perfis arqueológicos preservados.
Essa metodologia permitiu compreender com maior precisão a evolução do assentamento ao longo do tempo.
Entre os resultados mais destacados está o registro de uma ocupação pré-histórica que poderia corresponder ao antecessor da cidade celtribérica.
Os materiais recuperados, entre os quais cerâmicas feitas à mão e uma possível vala pertencente a uma paliçada de delimitação do assentamento, apontam para uma cronologia situada na transição entre o Bronze Final e a I Idade do Ferro.
PERÍODO POUCO CONHECIDO
Esse período continua sendo um dos menos conhecidos no Alto Douro devido à escassez de registros arqueológicos preservados.
Nesses níveis, foram identificadas uma muralha celtibérica e uma unidade doméstica celtibérica composta por vários cômodos; a escavação permitiu delimitar os pisos das habitações e analisar as técnicas de construção em barro cru, o que traz novas informações sobre a arquitetura doméstica e os sistemas construtivos empregados na cidade pré-romana.
Além disso, a remoção de um grande desabamento de tijolos de adobe permitiu documentar uma sala selada sob esse nível de desabamento, em cujo interior foram recuperadas diversas cerâmicas pintadas.
A sequência estratigráfica culmina com a ocupação correspondente à cidade romana imperial, desenvolvida a partir do século I d.C.
Nesse nível, foi identificada uma área destinada ao trabalho artesanal do bronze, onde foi localizado o piso de uma sala ao lado de pequenas gotas e recortes metálicos, evidências diretas das atividades metalúrgicas realizadas nesse espaço.
Toda a intervenção foi documentada por meio de técnicas digitais de registro, com fotogrametria terrestre e aérea com drone, bem como um levantamento topográfico de alta precisão por meio de GPS diferencial.
Esses trabalhos permitirão gerar modelos tridimensionais de alta resolução que facilitarão tanto a pesquisa quanto a conservação e a divulgação científica da escavação.
FASE DE LABORATÓRIO
Concluídos os trabalhos de campo, a pesquisa continuará nos próximos meses com uma intensa fase de laboratório, que concentrará a maior parte do esforço científico do projeto.
Serão realizadas as tarefas de limpeza, inventário, desenho, estudo e digitalização dos materiais recuperados, bem como um amplo programa de análises especializadas.
Entre elas, destacam-se as datações por radiocarbono (C14), que permitirão precisar a cronologia absoluta das diferentes fases de ocupação do sítio arqueológico.
Paralelamente, serão realizadas análises arqueobiológicas de sedimentos para identificar restos de fauna, sementes e madeiras utilizadas tanto na alimentação quanto na construção, com o objetivo de reconstruir aspectos da vida cotidiana dos habitantes de Numância ao longo de sua história.
Além disso, serão realizados estudos arqueométricos sobre os elementos construtivos feitos de barro, que contribuirão para aprimorar o conhecimento das técnicas de construção empregadas durante os diferentes períodos de ocupação.
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