MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
O principal fator que contribuiu para a perda de diversidade dos grandes herbívoros africanos foram as taxas de especiação excepcionalmente baixas, ou seja, o escasso surgimento de novas espécies. Essa é a principal conclusão de um estudo publicado na revista *Nature Communications*.
A pesquisa, na qual colaboraram profissionais do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC), o Centro Nacional de Pesquisa sobre a Evolução Humana (CENIEH) e a Universidade de Alcalá, entre outras instituições espanholas e europeias, indica que o clima da África começou a se tornar mais seco há cerca de 7,2 milhões de anos.
Isso provocou mudanças nas paisagens e nos tipos de vegetação, levando a uma reconfiguração das comunidades de ungulados. Nesse contexto, inicialmente aumentaram tanto o surgimento de novas espécies quanto o desaparecimento de outras. No entanto, o surgimento de novas espécies deixou de ocorrer no mesmo ritmo há 3,6 milhões de anos.
Enquanto isso, as extinções continuaram a aumentar e se aceleraram no início do Pleistoceno, há 2,58 milhões de anos. Agora, os cientistas comprovaram que, ao contrário do que se pensava, as espécies de maior porte não se extinguiram mais rapidamente do que as pequenas.
Na verdade, suas taxas de extinção foram um pouco menores, embora as espécies de mega-herbívoros também gerassem novas espécies com muito mais lentidão. Para chegar a essa conclusão, eles reconstruíram a dinâmica evolutiva dos ungulados africanos nos últimos 23 milhões de anos por meio da análise de 3.327 registros fósseis correspondentes a 396 espécies.
Seu modelo incorporou informações sobre a massa corporal, a altura das coroas dentárias, as relações evolutivas entre as famílias e as mudanças ambientais vividas pelo continente. Dessa forma, o estudo mostra que os animais com menos de 45 quilogramas foram extintos apenas 15% mais rapidamente do que aqueles com mais de uma tonelada nos momentos de máxima aridez.
Paralelamente, geravam novas espécies a um ritmo 2,2 vezes maior, o que permitiu que os herbívoros pequenos e médios compensassem melhor as perdas. Por outro lado, os grandes linhagens foram perdendo diversidade porque não surgiam espécies novas suficientes para substituir as que desapareciam.
“Isso, aliado à aridificação, agravou esse desequilíbrio: favoreceu o surgimento de novas espécies entre os ungulados de menor porte e reduziu a diversidade em cerca de 20% entre os megaherbívoros”, esclareceu o pesquisador Óscar Sanisidro, da Universidade de Alcalá de Henares.
O cientista Ignacio A. Lazagabaster, do CENIEH, destacou que a expansão de ambientes abertos, o aumento da aridez e a redução da produtividade dos ecossistemas transformaram as comunidades africanas ao longo de milhões de anos. “Nossos resultados indicam que, embora a atividade humana possa ter contribuído para algumas extinções recentes, ela não foi a causa principal da perda generalizada desses grandes herbívoros”, concluiu.
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