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MADRID 3 fev. (EUROPA PRESS) - O grupo mutualista Relyens apresentou nesta terça-feira seu primeiro relatório europeu sobre os riscos que os centros de saúde enfrentarão até 2035, análise que revelou, entre outras conclusões, que os principais riscos atualmente são a escassez de profissionais de saúde e a sobrecarga que eles sofrem, bem como o envelhecimento da população.
“Quando há escassez de pessoal, isso terá repercussões na saúde dos pacientes”, explicou o presidente do Comitê Científico encarregado de realizar este trabalho, Paolo Silvano, que destacou a importância da “prevenção”, que “tem de ser uma competência estratégica funcional”.
Este estudo, realizado em colaboração com o Instituto Ipsos através de um questionário e entrevistas qualitativas a mil profissionais de saúde na Espanha, Alemanha, França e Itália, pertencentes aos setores público e privado, também aponta como principais riscos a inflação dos custos na saúde e as ameaças à cibersegurança. De fato, estes foram destacados de forma severa por 78% e 75%, respectivamente; enquanto a escassez de profissionais de saúde, por 80%, e o envelhecimento, por 81%.
“O paciente agora tem um padrão mais alto em termos de resultados”, confirmou, por sua vez, o diretor-geral da Relyens, Dominique Godet, que, diante disso, enfatizou a importância de impulsionar a “transformação” dos sistemas de saúde, para o que considera que o relatório apresentado representa uma “ferramenta de apoio à tomada de decisões”.
Nesse contexto, Silvano aprofundou os riscos observados, encontrando 25 como os mais citados. Alguns deles são também as desigualdades no acesso à saúde, a trajetória decrescente da economia, a instabilidade política e a poluição.
“Devemos nos preparar para esses riscos para saber como gerenciá-los melhor”, afirmou o máximo expoente do Comitê Científico, que acrescentou que “é difícil refletir e investir em tendências de longo prazo” e que “um bom exemplo” é o que vivemos com a crise da Covid-19. FRAGILIDADE NAS CADEIAS DE SUPRIMENTOS
Abordando especificamente os maiores riscos, Silvano afirmou que “o aumento das doenças crônicas” e o roubo de dados, que é “bastante ativo hoje em dia”, são aspectos a serem considerados. Além disso, referiu-se a “outras áreas de vulnerabilidade”, como “a fragilidade nas cadeias de abastecimento”, uma vez que “há discussões sobre a falta de medicamentos” devido a “interrupções” nas mesmas. “Os profissionais têm a sensação de não estar num ambiente que lhes permita trabalhar com serenidade”, continuou em relação ao “esgotamento” que sofrem. A isso se soma o fato de que o uso dos serviços de saúde é “cada vez mais importante”. Nesse sentido, Silvano enfatizou que “os erros médicos são, às vezes, consequência da forte pressão que os profissionais sofrem”. A esse respeito, Godet sustentou que “este estudo enfatiza o capital humano e sua tensão, o esgotamento profissional, a falta de atratividade dessas profissões”. Outro aspecto destacado pelo diretor-geral da Relyens foi “a crescente desconfiança em relação às instituições, devido à desinformação e à desigualdade nos cuidados”. “É um fenômeno que se agrava”, lamenta. Por outro lado, Godet referiu-se a outro estudo da entidade que representa e que revelou que, no que diz respeito a eventos indesejáveis graves, “84% ocorrem em contextos programados, não em situações de emergência”. Na sua opinião, existem “ângulos mortos na gestão de riscos”.
EXPECTATIVAS PARA 5 E 10 ANOS “Uma reformulação contínua da organização e dos processos permite reduzir os riscos para os pacientes”, afirmou, a esse respeito, Silvano, que destacou que isso também é muito necessário à luz dos dados obtidos na pesquisa para os próximos cinco anos.
“Em cinco anos, um quarto diz que o ambiente ficará perturbado e até muito perturbado”, citou, ao mesmo tempo em que apresentou os dados para 10 anos, elevando a porcentagem para 37%, pelo que a expectativa “fica mais degradada”. No entanto, ele esclareceu que “os espanhóis são mais moderados”, já que essas porcentagens caem para 8% e 21%, respectivamente. “A desinformação e a falta de confiança das pessoas na Itália e na Espanha” foram destacadas por Silvano, que insistiu na “questão da confiança nas autoridades e nos responsáveis pelo sistema de saúde”.
Perante tudo isto, Godet mostrou o seu compromisso com um “quadro global e integrador de gestão de riscos” e com a “inovação e cooperação entre os sistemas de saúde na Europa”. “Estamos num sistema instável que se mantém, mas quando algo se move, todos os elos se movem”, alertou.
“Não estamos aqui apenas para enfrentar crises, mas para propor uma visão e construir organizações robustas, capazes de aprender e evoluir”, continuou este membro da Relyens, que salientou que na mesma desenvolvem “soluções para garantir os cuidados” e colocam “à disposição do ecossistema da saúde uma parte significativa” do seu investimento.
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