Publicado 16/02/2025 04:54

A escalada do conflito deixa milhes de crianas em risco de recrutamento

Archivo - Arquivo - 13 de novembro de 2024, Haiti, Porto Príncipe: Crianas haitianas caminham na rua. A situao de segurana do país caribenho piorou desde 11 de novembro, quando gangues atiraram em pelo menos trs avies, forando o fechamento da Tou
Patrice Noel/ZUMA Press Wire/dpa - Arquivo

O UNICEF alerta sobre o estigma ligado a essas crianas mesmo após a desmobilizao

MADRID, 16 fev. (EUROPA PRESS) -

Em qualquer contexto de violncia ou conflito armado, os menores de idade representam um grupo vulnerável em muitas áreas, como as organizaes humanitárias e da sociedade civil apontam repetidamente, concentrando-se em riscos como o recrutamento dessas crianas por grupos armados, uma ameaa palpável em contextos como o Haiti ou a República Democrática do Congo.

Em 12 de maro, foi comemorado o Dia Internacional contra o Uso de Crianas-Soldados, uma data com a qual a ONU quis nos lembrar que mais de 473 milhes de crianas vivem em zonas de conflito e, portanto, esto em risco. Os dados mais recentes coletados pelas Naes Unidas datam de 2023, quando 8.655 casos de recrutamento foram confirmados em todo o mundo.

Os próprios especialistas presumem que esses números, que incluem países como a República Democrática do Congo, Birmnia, Síria, Mali e Nigéria na lista negra, so apenas a ponta do iceberg e que os números reais so ainda maiores. O próximo relatório está previsto para junho, mas Ernesto Granillo, especialista do Fundo das Naes Unidas para a Infncia (UNICEF), supe que "os números sero altos".

Em uma entrevista Europa Press, Granillo enfatizou a importncia de tentar lanar alguma luz estatística sobre a tragédia e descreveu qualquer processo de verificao como "complexo" - "pode levar vários meses", explicou. Na Birmnia, por exemplo, o acesso é "extremamente limitado", assim como no norte de Mali e no nordeste da Nigéria, enquanto na Faixa de Gaza mais dados podero estar disponíveis se a situao se estabilizar.

Uma das atuais áreas de preocupao decorre da escalada da violncia no leste da RDC, onde a ofensiva do grupo rebelde Movimento 23 de Maro (M23) levou o UNICEF a permanecer na área apenas com funcionários essenciais.

A agncia alertou que o caos na regio congolesa de Kivu do Norte, "uma crise extremamente complicada", nas palavras de Granillo, é o terreno perfeito para o recrutamento, assim como a espiral de violncia que o Haiti vem experimentando há vários anos devido crescente presena de gangues armadas. De acordo com a UNICEF, o recrutamento no Haiti aumentou em 70% no último ano.

MOVIMENTO PARA A FRENTE

Os meninos costumam ser as principais vítimas do recrutamento, mas as meninas esto igualmente expostas e, no caso delas, também merc de casamentos forados ou violncia sexual. Marie, uma menina congolesa, tinha 14 anos quando foi levada para a floresta e se tornou vítima de abuso e estupro.

Agora, diz ela, graas ao apoio do UNICEF, ela conseguiu seguir em frente e se tornar uma pessoa "de grande valor" para sua própria comunidade - algo que nem sempre acontece porque, mesmo depois de libertadas, essas crianas e jovens ainda podem carregar um estigma social. No caso das mulheres, elas podem até retornar como mes.

Ernesto Granillo explica que a desmobilizao no é o fim do caminho, mas uma etapa anterior "reintegrao". E nesse segundo ponto, ele acrescenta, as decises sempre devem ser tomadas "no melhor interesse das crianas", mesmo que isso implique o custo de no retornar s suas famílias ou comunidades se isso puder colocá-las em "perigo".

Nesse sentido, ele lembra que os menores recrutados por grupos armados também so vítimas, mesmo que isso parea voluntário em alguns casos. "O recrutamento de crianas é, por definio, forado", e Granillo pede que todas as partes em conflito levem isso em considerao no contexto do conflito e fora dele.

O especialista enfatiza que, com tratamento adequado, todas essas crianas podem ter sucesso e cita o caso de uma jovem colombiana que ele mesmo conheceu em uma viagem recente e que passou anos como membro de um grupo guerrilheiro. Ela ficou incapacitada devido a um acidente com um dispositivo explosivo e agora sua vida é diferente: "Como todos os jovens, ela encara a vida com otimismo e desejo de sucesso".

AJUDANDO-OS A TER UM FUTURO

Esse otimismo é compartilhado por Albert, que trabalhava em uma usina na República Democrática do Congo quando seu chefe o colocou em um grupo no qual recebeu treinamento militar e com o qual foi "para o campo de batalha". Ele conseguiu escapar e agora conclama o mundo a "ajudar as crianas que ainda esto em grupos armados, para que possam sair e ter um futuro".

Granillo conclama a comunidade internacional a sempre responsabilizar os atores direta ou indiretamente ligados s violaes dos direitos das crianas e a fazer investimentos imediatos e de longo prazo em favor de ex-crianas-soldados.

Entretanto, ele também admite que a maior ajuda é trabalhar pela diplomacia humanitária e pela "paz duradoura" para os países em guerra. "A proteo infantil mais importante que existe é a ausncia de conflito", diz ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado