MADRID 2 jul. (EUROPA PRESS) -
O Conselho Europeu de Pesquisa (ERC, na sigla em inglês) selecionou um projeto do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO) para desenvolver novos medicamentos destinados a melhorar a eficácia da imunoterapia em diferentes tipos de câncer.
A iniciativa, liderada pelo grupo de melanoma do CNIO, dirigido por Marisol Soengas, foi selecionada na chamada “Proof of Concept”, destinada a transferir avanços científicos para aplicações clínicas e tecnológicas. O projeto parte da descoberta anterior de que a proteína Midkine atua como um mecanismo de resistência tumoral, bloqueando a resposta do sistema imunológico contra o melanoma e outros tipos de câncer.
Devido à Midkine, os mecanismos de controle anticâncer do sistema imunológico não conseguem detectar e destruir as células tumorais, que se disseminam pelo organismo e geram metástases.
IA PARA INIBIR A MIDKINE
Segundo eles, esta não é a primeira tentativa de inibir a Midkine. Desde sua descoberta, muitos grupos, incluindo o de Soengas, tentaram desenvolver medicamentos e inibidores que a bloqueassem, sem sucesso. “A Midkine é uma proteína com uma estrutura muito dinâmica, o que tem dificultado o desenvolvimento de medicamentos capazes de bloqueá-la”, explica Soengas.
As proteínas interagem entre si por meio do reconhecimento preciso de sua forma — de sua estrutura tridimensional. No projeto agora financiado pelo ERC, os grupos do CNIO buscarão moléculas cuja forma seja complementar à da Midkine, de modo que, ao se encaixarem nela, a inativem. Eles utilizam uma estratégia inovadora: projetar, com o auxílio da inteligência artificial, milhares de miniproteínas e selecionar e validar experimentalmente aquelas que têm maior probabilidade de se ligar à Midkine.
O grupo de Melanoma colabora neste projeto com o grupo de Integridade Genômica e Biologia Estrutural do CNIO, liderado por Rafael Fernández-Leiro, especialista em projeto computacional de proteínas e em sua caracterização estrutural e bioquímica.
A equipe já identificou várias miniproteínas (“minibinders”) capazes de se ligar à Midkine com alta afinidade e de bloquear sua atividade em ensaios experimentais. Eles se concentrarão nas cinco mais promissoras e validarão sua ação tanto em células tumorais quanto em camundongos, para tentar demonstrar que elas podem ser a base de futuros medicamentos contra o melanoma e outros tumores.
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