Publicado 02/07/2026 11:58

A epigenética muda a forma como entendemos a longevidade, que não é influenciada apenas pela genética, segundo Ramón Cacabelos

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CECILIE_ARCURS/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 2 jul. (EUROPA PRESS) -

O neurocientista Ramón Cacabelos afirmou que “a epigenética está mudando a forma como entendemos a longevidade, a memória e o declínio cerebral”, aspectos nos quais não influencia apenas a genética, mas também os hábitos de vida, que têm impacto no envelhecimento.

“Durante décadas, partiu-se do princípio de que o envelhecimento cerebral estava praticamente escrito no DNA”, indicou ele, ressaltando que, naquela época, acreditava-se que “se uma pessoa tivesse uma determinada carga genética, pouco poderia fazer para alterar seu destino”. “Hoje, esse paradigma está mudando graças à epigenética, uma disciplina que demonstra que o modo como vivemos influencia a forma como nossos genes se expressam”, destacou.

Conforme expôs Cacabelos em uma nova edição de “El Mensajero de Asclepio”, publicação periódica de divulgação científica, a epigenética “está transformando a compreensão do envelhecimento cerebral”, bem como do papel que os hábitos desempenham na saúde ao longo da vida. “A genética continua sendo importante, mas não pode mais ser entendida como um destino inalterável”, resumiu.

“Hoje, sabemos que existe uma interação permanente entre os genes e o ambiente que condiciona a forma como nosso organismo envelhece”, continuou ele, para insistir que “a chave está na epigenética, um conjunto de mecanismos biológicos que regulam a atividade dos genes sem modificar a sequência do DNA”.

FATORES QUE INFLUEM

A esse respeito, ele destacou que “fatores como o descanso, a alimentação, a atividade física, o estresse ou a inflamação podem influenciar essa regulação e, com isso, a forma como o organismo responde ao passar do tempo”. “Não se trata de ‘reprogramar’ o envelhecimento nem de prometer fórmulas milagrosas”, afirmou ele, para declarar, no entanto, que “as evidências científicas atuais permitem afirmar que determinados hábitos estão associados a alterações epigenéticas e a diferenças na chamada idade biológica”.

Nesse sentido, ele afirmou que “essa mudança de perspectiva representa um dos maiores avanços na pesquisa sobre o envelhecimento das últimas décadas”. “De fato, as alterações epigenéticas fazem parte das chamadas ‘hallmarks of aging’ — os grandes mecanismos biológicos do envelhecimento — reconhecidos pela comunidade científica internacional”, explicou.

Por fim, e após destacar que “compreender a interação entre genética e ambiente permitirá avançar em direção a uma medicina cada vez mais personalizada, voltada não apenas para o tratamento de doenças, mas também para preservar a saúde cerebral por mais tempo”, ele concluiu afirmando que “os genes continuam marcando o ponto de partida, mas já não determinam sozinhos o desfecho”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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