Publicado 03/07/2026 06:15

Epidemiologistas pedem que se preste atenção ao impacto psicológico e ao acompanhamento médico após o terremoto na Venezuela

VENEZUELA, CARACAS – 26 DE JUNHO DE 2026: Equipes de socorro removem os escombros após um terremoto. De acordo com Carlos Alvarado, Ministro do Poder Popular da Saúde, o terremoto ocorrido na Venezuela em 24 de junho matou 235 pessoas e deixou mais de 4.3
Mikhail Makeyev / Zuma Press / Europa Press / Cont

MADRID 3 jul. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Epidemiologia (SEE) destacou a importância de que a resposta de saúde ao terremoto na Venezuela não se concentre apenas nas necessidades mais urgentes, mas também atenda aos riscos que podem persistir ao longo do tempo, como as consequências psicológicas, a interrupção do acompanhamento médico e dos serviços básicos.

Os epidemiologistas explicaram que, nas primeiras horas, os terremotos provocam um número elevado e repentino de feridos, o que pode sobrecarregar rapidamente a capacidade de resposta dos serviços de saúde. Ao mesmo tempo, os danos em centros de saúde e rodovias, a falta de água potável, a deterioração das condições de higiene e o deslocamento da população geram novas necessidades de saúde que devem ser atendidas desde as primeiras fases da emergência.

Entre esses riscos persistentes, a SEE destacou os problemas decorrentes da interrupção do acompanhamento médico e dos tratamentos habituais, que afetam especialmente as pessoas com doenças crônicas. Também alertaram para um possível aumento das complicações obstétricas e neonatais caso os serviços de atendimento ao parto e ao recém-nascido sejam interrompidos.

Paralelamente, a SEE afirmou que a superlotação prolongada, a deterioração das condições de higiene e a degradação do ambiente podem elevar o risco de infecções e a proliferação de mosquitos e roedores. Nesse ponto, detalhou que os corpos das pessoas falecidas geralmente não representam perigo, pois a maioria dos patógenos não sobrevive mais de 48 horas nos cadáveres, mas ressaltou que as equipes de resgate estão expostas ao risco; por isso, é imprescindível que utilizem equipamentos de proteção individual.

Por outro lado, os especialistas destacaram os problemas de mobilidade e acessibilidade decorrentes da destruição de estradas e meios de transporte, o que impede que pessoas doentes, idosas ou com deficiência cheguem aos centros de atendimento, além da falta de energia elétrica e dos elevadores avariados nos prédios que ainda estão de pé, o que pode deixar essas pessoas isoladas.

IMPACTO NA SAÚDE MENTAL

Tudo isso, somado ao medo e ao “choque” vivenciados durante o terremoto, aumenta o risco de transtornos psicossociais, segundo afirmaram os epidemiologistas, que recomendaram incorporar a atenção à saúde mental de forma transversal durante todo o processo de resposta e recuperação desse tipo de desastre.

“A perda de familiares e redes de apoio, a destruição da moradia, o desaparecimento dos meios de subsistência e as dificuldades diárias para sobreviver podem gerar um estresse prolongado e tornar o trauma crônico entre os sobreviventes”, alertaram.

Além disso, os especialistas explicaram que os terremotos agravam as vulnerabilidades sociais, econômicas e institucionais já existentes e destacaram que a falta de investimento em infraestrutura, saúde, proteção civil e gestão de riscos limita a capacidade de prevenção e resposta.

A SEE destacou que os bloqueios econômicos e as tensões geopolíticas podem dificultar a chegada de suprimentos, maquinário e ajuda humanitária. “Por isso, um terremoto não se torna uma catástrofe de saúde pública apenas por sua intensidade, mas também pela vulnerabilidade do território afetado”, concluiu, para destacar o papel que a preparação prévia, a qualidade das infraestruturas e a capacidade de resposta dos serviços públicos desempenham na redução do impacto sanitário e social de um terremoto.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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