Raúl Lomba - Europa Press - Arquivo
MADRID 1 abr. (EUROPA PRESS) -
A vice-presidente de Enfermagem da Sociedade Espanhola de Medicina de Urgências e Emergências (SEMES), a enfermeira Carmen Casal, indicou que entorses, distensões, desmaios “e alguma possível fratura” são as principais lesões ocorridas durante as procissões da Semana Santa que são atendidas nos Serviços de Urgências e Emergências.
“A cera das velas é extremamente perigosa porque cria uma camada totalmente impermeável”, pelo que “podemos escorregar”, afirmou em declarações à Europa Press, ao mesmo tempo em que destacou que as “aglomerações” e as ruas de paralelepípedos também são causadoras de todo esse tipo de problema. Tudo isso pode provocar “escorregões” e “quedas”, expôs.
Além disso, Casal lembrou que, em idosos, a queda “pode ser muito mais grave ou ter consequências piores do que em uma pessoa jovem”. Para esse grupo populacional e para pacientes “que já tenham alguma patologia cardíaca prévia ou problema circulatório”, ela recomenda que, “se possível”, caminhem “um pouco” e “não fiquem parados”.
“Desmaios e síncopes causados por quedas de pressão arterial e pelo calor” também foram destacados por essa especialista, já que as previsões indicam uma Semana Santa com temperaturas mais altas do que o habitual. Diante disso, ela defende “hidratar-se continuamente, ou seja, ter sempre a típica garrafa de água fresca”, bem como “procurar áreas com sombra, que não fiquem expostas diretamente ao sol”.
O SOL E A ANSIEDADE, POSSÍVEIS DESENCADEADORES DE PROBLEMAS
Em sua opinião, “ficar ao sol por muito tempo pode causar problemas de desidratação, problemas de dificuldade de retorno venoso nas pernas, nas extremidades inferiores”. Há também “a ansiedade que pode ser provocada ao ver o santo”, o que “pode causar crises” nesse sentido e “desmaios”, explicou.
Diante dessas circunstâncias, ele afirmou que “o primeiro passo é evitar essa aglomeração, ou seja, dar espaço à vítima, àquela pessoa que precisa de assistência urgente”. “Essa pessoa não pode ficar com falta de ar e ansiosa”, ressaltou, acrescentando que, se estiver consciente, “pode elevar as pernas para aumentar o retorno venoso”.
“Mas se ainda estiver inconsciente, ou seja, se não reagir a estímulos externos, o ideal é colocá-la de lado, na posição lateral de segurança”, prosseguiu Casal, após o que declarou que, dessa forma, evita-se “que a língua obstrua as vias respiratórias”.
Além disso, destacou “o problema das alergias”, que também se reflete em “um aumento de atendimentos de urgência e emergência” durante este período festivo. “Este ano, além disso, estamos em alta porque choveu muito no inverno”, pelo que existem “picos importantes” de polinização “e isso pode produzir, evidentemente, sintomas de alergias”, argumentou.
AUMENTO DE DESLOCAMENTOS RODOVIÁRIOS E DE ACIDENTES
Outro foco de emergências é o aumento do tráfego rodoviário e das viagens previsto para estes dias. “Já se notou um aumento de acidentes”, alertou, acrescentando que muitos podem ocorrer “por descuido” relacionado a uma “frenagem brusca” e à não manutenção da “distância de segurança correta”.
Para refletir o aumento da demanda por atendimento na Semana Santa, a SEMES apresentou dados da Junta da Andaluzia, que mostram que, somente nesta região, as centrais de coordenação do 061 atenderam 24.364 chamadas entre a Sexta-feira de Dolores e o Domingo de Ramos de 2025, gerando 11.389 solicitações de atendimento médico durante esse período.
No entanto, Casal negou que a redução do efetivo profissional seja tão premente “como no verão ou no Natal”. “Nestes dias, nas Urgências e Emergências, estamos com o quadro de pessoal praticamente a 100%, porque somos indispensáveis”, sublinhou.
Precisamente nesse sentido, ele reivindicou a especialidade de Enfermagem de Urgências e Emergências. “Não é um pedido de que nós, agora, os enfermeiros, queiramos ser especialistas da mesma forma que os colegas médicos, mas sim que consideramos que já se trata de um problema de saúde pública”, indicou.
“Se vamos atender qualquer tipo de paciente no pior momento de sua vida, queremos uma formação melhor e não uma formação que dependa de cada região ou de que cada pessoa tenha se virado sozinha, por assim dizer, para se formar”, enfatizou. “Tudo isso passa por uma especialidade regulamentada e homogênea em todo o território nacional”, destacou.
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