MADRID 21 maio (EUROPA PRESS) -
O congelamento de alimentos é uma das formas mais comuns de conservá-los em casa. De carnes e peixes a frutas, legumes e refeições prontas, o freezer se tornou um aliado fundamental contra o desperdício de alimentos. No entanto, existe uma crença generalizada de que o congelamento de alimentos elimina as bactérias. Esse é um mito que, como explica a engenheira de alimentos e comunicadora Mariana Zapién, é falso.
A confusão geralmente surge porque, em alguns casos, como o do anisakis, o congelamento inativa certos parasitas. Mas isso não significa que o mesmo efeito ocorra com bactérias como Salmonella, E. coli ou Listeria. Em um vídeo publicado em sua mídia social, Zapién explica por que o congelamento não mata esses microrganismos, mas simplesmente os mantém em um estado dormente.
O CONGELAMENTO NÃO MATA, APENAS PAUSA
"O congelamento não mata todos os micro-organismos que podem nos deixar doentes, ele faz com que eles entrem em um estado latente", explica Mariana Zapién. Durante esse período, os patógenos não estão ativos e não se reproduzem porque não podem usar a água (que está em estado sólido) para seus processos vitais.
Mas isso não significa que eles desaparecem: eles ainda estão lá, "vivos, mas não ativos", como explica Zapién. Quando o alimento é descongelado, esses microrganismos podem se reativar e se multiplicar rapidamente se as medidas adequadas de higiene e cozimento não forem seguidas.
A ZONA DE PERIGO: ENTRE 4 °C E 60 °C
Zapién lembra que as bactérias crescem melhor entre 4°C e 60°C, o que é conhecido como a zona de perigo térmico. É nessa faixa que seu crescimento é maior, e é por isso que o descongelamento deve ser sempre feito a frio (na geladeira) ou, se não for possível, usando técnicas seguras, como micro-ondas ou cozimento direto.
Se o alimento for deixado para descongelar em temperatura ambiente, como na bancada da cozinha, as bactérias podem se reativar e crescer a níveis perigosos antes de serem cozidas.
E QUANTO AOS PARASITAS, COMO O ANISAKIS?
É aqui que reside parte da confusão. O parasita Anisakis, presente em alguns peixes, pode ser eliminado pelo congelamento, conforme explica Zapién, desde que sejam respeitadas condições específicas de tempo e temperatura. De acordo com as normas europeias, essa inativação é obtida mantendo-se o peixe a -20*°C por pelo menos 24 horas.
O mesmo se aplica a outros parasitas, como a Trichinella, que pode ser encontrada na carne de porco. Zapién esclarece que esses casos são diferentes dos de bactérias patogênicas, como E. coli, Salmonella ou Listeria, que podem sobreviver ao congelamento e reativar se o alimento não for manuseado adequadamente. Por esse motivo, ele insiste em não confundir os dois tipos de microrganismos.
ENTÃO, O CONGELAMENTO É SEGURO?
Sim, o congelamento continua sendo um dos métodos mais eficazes para preservar os alimentos e retardar a deterioração, pois impede o crescimento de microrganismos enquanto o alimento permanece em temperaturas adequadas. Mas ele não os elimina. Portanto, o segredo é combinar o congelamento com o descongelamento adequado e, se necessário, com o cozimento suficiente.
"Desde que você descongele e cozinhe os alimentos corretamente, não terá problemas", diz o especialista no vídeo. O risco surge quando os produtos são mal manuseados: por exemplo, se o alimento que já foi contaminado for congelado ou se as cadeias de frio forem quebradas.
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