PONTEVEDRA 18 set. (EUROPA PRESS) -
As escavações que a Câmara Provincial de Pontevedra está realizando no convento de Santa Clara permitiram localizar um segundo cérebro saponificado em um dos três túmulos investigados no coro inferior, conforme informou a instituição provincial.
A descoberta se soma ao primeiro cérebro saponificado identificado anteriormente em outro túmulo do mesmo local. Pela localização, ambos os restos mortais datariam entre os séculos XVI e XIX e, em todo caso, seriam anteriores à última reforma realizada nessa área, em 1915.
O cérebro foi extraído por Clara Veiga, antropóloga forense e arqueóloga da equipe de A Citania, responsável pelos trabalhos, e será transferido para a Faculdade de Geografia e História da Universidade de Santiago de Compostela (USC), onde será conservado e submetido a um estudo histológico. As análises permitirão conhecer sua composição, estrutura e principais características.
No coro inferior do mosteiro de Pontevedra, foi escavada uma área na qual foram encontradas três sepulturas completas. Embora quase não haja restos ósseos dos corpos, diversos tecidos humanos e têxteis sobreviveram. Dois dos sepultamentos conservavam cérebros saponificados.
A saponificação é um processo de conservação pouco comum que pode ocorrer em ambientes úmidos devido à elevada proporção de gordura no cérebro. Trata-se, no entanto, de um fenômeno muito excepcional em escala mundial.
Segundo a Câmara Provincial, essas duas descobertas poderiam constituir os primeiros casos documentados na Península Ibérica com essas características e dentro desse período cronológico, já que os cérebros saponificados localizados até agora na Espanha e em Portugal correspondiam a épocas posteriores.
OBRAS INICIADAS EM JULHO
As obras arqueológicas, iniciadas no mês de julho passado, permitiram documentar outros vestígios de interesse. Em frente ao altar-mor da igreja, foram localizados vários sepultamentos, entre eles o de uma figura eclesiástica masculina que poderia corresponder à época moderna, entre os séculos XVI e XVIII. O corpo conserva os sapatos e uma casula praticamente intacta.
O achado de tecidos em contextos arqueológicos na Galícia é pouco frequente e conta com poucos precedentes. Nessa área, também foram escavados outros dois túmulos, enquanto em um dos lados, próximo ao altar da Virgem dos Desamparados, foram identificados dois sepultamentos infantis.
NOVA ESTRUTURA RETANGULAR
No exterior do convento, na área da floresta, foi documentada uma nova estrutura retangular situada ao sul de um muro previamente localizado na mesma escavação. Os materiais associados, datados do final do século XIV, indicam que poderia tratar-se de um dos elementos estruturais mais antigos do recinto, possivelmente anterior ou contemporâneo ao início da construção do convento. Por enquanto, desconhece-se sua funcionalidade.
Além disso, no claustro, continuaram os trabalhos em uma área onde havia sido identificada uma rampa de uso desconhecido. Sob essa estrutura, foi encontrado um cadáver, um achado que reforça a hipótese de que o claustro poderia ter contado inicialmente com três alas.
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