Trata-se do primeiro caso documentado de um cérebro com essas características em um sítio arqueológico na Península Ibérica
PONTEVEDRA, 14 set. (EUROPA PRESS) -
As escavações arqueológicas no convento de Santa Clara, em Pontevedra, permitiram localizar, entre outros achados, um cérebro saponificado que os pesquisadores consideram o primeiro caso documentado com essas características na Península Ibérica e um dos poucos conhecidos internacionalmente.
O vice-presidente da Câmara Provincial de Pontevedra, Rafael Domínguez, apresentou nesta segunda-feira os últimos resultados dos trabalhos arqueológicos, acompanhado pela equipe responsável pelas escavações, que já entra em seu último mês de trabalho de campo antes de iniciar uma nova fase centrada no estudo em laboratório dos materiais recuperados.
Conforme explicou Domínguez, as descobertas posicionam o convento como um local “pioneiro no mundo” e abrem novas linhas de pesquisa sobre a história do complexo e da cidade de Pontevedra.
As principais descobertas ocorreram no interior da igreja, onde foram encontrados sepultamentos de religiosas cujos restos ósseos estão bastante deteriorados, embora os sudários tenham sido preservados. Também foram localizados os restos mortais de duas crianças, uma delas com sapatos.
Entre essas descobertas, destaca-se especialmente o cérebro saponificado, que, segundo os arqueólogos, constitui “o primeiro caso documentado com essas características na Península Ibérica e um dos poucos em nível internacional”. A equipe de pesquisa destaca que se conhecem apenas outros três casos no mundo, localizados na Argentina, no Chile e na Itália.
As escavações permitiram, além disso, localizar o corpo de um capelão enterrado em frente ao altar, que conserva os sapatos e boa parte de suas vestimentas. Domínguez classificou essa descoberta como “algo excepcional e único”. O achado adquire especial relevância devido ao estado de conservação dos elementos têxteis.
Os trabalhos também permitiram avançar no conhecimento da configuração original do claustro. Os arqueólogos continuaram escavando no local onde havia sido documentada uma rampa e localizaram elementos que, segundo os especialistas, reforçam a hipótese de que o claustro poderia ter contado inicialmente com três alas.
Além disso, foi documentada uma nova estrutura retangular localizada ao sul do bosque, cuja funcionalidade ainda não pôde ser determinada. A equipe arqueológica considera que poderia tratar-se de um dos elementos estruturais mais antigos conservados dentro do recinto.
Quanto aos materiais recuperados, as escavações já permitiram documentar mais de 3.000 itens, entre os quais se encontram restos de cerâmica datados entre o final do século XIV e o século XIX, além de moedas, vidros e peças líticas.
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