UNIVERSIDAD DE WASHINGTON/YUXUAN REN
MADRID, 6 ago. (EUROPA PRESS) -
As estimativas de emissões nocivas de carbono negro no "sul global" foram significativamente subestimadas, de acordo com uma medição das concentrações ambientais com novos modelos.
O carbono negro, o subproduto da fuligem da combustão incompleta de combustíveis fósseis, tornou-se um dos principais contribuintes para as mudanças climáticas e os impactos na saúde humana.
Pesquisadores da Universidade de Washington aplicaram uma análise que caracteriza o carbono negro com base em medições do Surface Particulate Array (SPARTAN), uma rede de medição global liderada pela McKelvey School of Engineering da universidade.
SÃO 38% MAIS ALTOS
O estudo concentrou-se nas concentrações atmosféricas de carbono negro no sul global, um grupo vagamente definido de países em desenvolvimento na África, Ásia, América Latina e Caribe. Os pesquisadores descobriram que as concentrações de carbono negro em áreas de baixa e média renda do sul global foram subestimadas em cerca de 38%.
O artigo foi publicado na revista Nature Communications.
A equipe realizou simulações usando dados do Community Emissions Data System, do Global Atmospheric Research Emissions Database e do Hemispheric Transport of Air Pollution Working Group. Usando o modelo comunitário de código aberto GEOS-Chem sobre a composição atmosférica, eles conseguiram estabelecer melhores conexões entre as emissões globais e as medições localizadas. Entretanto, a medição do carbono negro não é tão simples quanto parece, pois diferentes áreas dentro dessas zonas queimam diferentes materiais e combustíveis que contribuem para a formação do carbono negro, dificultando comparações justas.
QUEIMA DOMÉSTICA DE MADEIRA E CARVÃO VEGETAL
"Há diferentes atividades de combustão nessa região, como a queima doméstica de madeira e carvão para cozinhar e aquecer", explicou Yuxuan Ren, estudante de doutorado e principal autor do estudo, em um comunicado.
Os desenvolvedores de inventários de emissões resumirão a quantidade total de combustível usado de todas essas fontes e estimarão a emissão total de carbono negro no ar. Ao comparar diferentes estudos de diferentes regiões, é difícil estimar as emissões dessas fontes difusas e ineficientes, o que pode levar a um certo grau de parcialidade. Acreditamos que esse seja o principal motivo da subestimação do carbono negro.
As maiores subestimações foram encontradas em várias regiões: Daca (Bangladesh), onde a queima de resíduos agrícolas, resíduos de colheitas, lenha e esterco de vaca, bem como fornos de tijolos mal regulamentados, contribuem para as emissões de carbono negro; Adis Abeba (Etiópia), onde as emissões de carbono negro são provenientes de veículos pesados a diesel e da queima de madeira como combustível; Ilorin, Nigéria, que tem uma infraestrutura de petróleo e gás mal regulamentada; Cidade do México; Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos; Bujumbura, Burundi, que depende de geradores a diesel e parafina; e Kanpur, Índia.
Ren observou que a subestimação nesses locais tem relevância global. "A subestimação generalizada de duas a quatro vezes do carbono negro em locais em Bangladesh, Etiópia, Nigéria e México sugere que o efeito radiativo e os impactos à saúde do carbono negro podem ser maiores do que o esperado, destacando a importância contínua dos esforços de mitigação do carbono negro, com possíveis benefícios para o clima e a saúde que justificam mais pesquisas", disse ele.
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